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As várias ‘internets’

Há quatro anos, entrevistei John O’Farrell, sócio da Andreessen Horowitz, uma das principais empresas de investimentos da internet, em seu escritório na Sand Hill Road, em Menlo Park. Perguntei a ele por quê, se o mundo está cada vez mais conectado, ainda era importante estar no Vale do Silício. 

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2015 | 03h00

O’Farrell respondeu: “Porque temos uma rede de relacionamentos muito forte aqui. Para qualquer empreendedor do Vale do Silício que venha até nós procurando investimento, conhecemos ou conseguimos encontrar, muito rapidamente, pessoas que trabalharam com ele no passado, muitas referências”.

Lembrei dessa história ao conversar com o escritor francês Frédéric Martel, autor de Smart, que acaba de ser lançado no Brasil pela Civilização Brasileira. No original, o subtítulo do livro é “Investigação sobre as internets”. Assim mesmo, no plural. 

O principal argumento do livro é que essa história de que a internet acaba com as fronteiras e torna o mundo uniforme é falsa. “Quando trabalhava em Smart, visitei 50 países, e não vi isso acontecendo em campo em lugar nenhum”, afirmou Martel, que estava no Brasil na semana passada. “Existem fronteiras na internet, que não são fronteiras físicas, com bandeira, imigração e passaporte, com exceção da China. São fronteiras simbólicas.”

A exceção da China, que ele conta no livro, vem do fato de o governo chinês controlar o acesso à rede dentro do país, o que levou ao surgimento de várias empresas chinesas que copiam gigantes ocidentais. O Taobao é o equivalente chinês do eBay; o Reren, do Facebook; o Baidu, do Google; o Youku, do YouTube; o Weibo, do Twitter; o Weixin, do WhatsApp; e assim por diante.

Segundo Martel, as fronteiras simbólicas da internet estão relacionadas não somente ao local em que cada um vive, mas às comunidades das quais participa e à sua língua materna. Ele reconhece a força dos EUA e das empresas americanas, mas não vê nos EUA o único modelo de desenvolvimento da internet possível no mundo. 

“Alguns conteúdos são globais, e muito ligados aos EUA, mas são somente uma parte pequena do que é consumido”, disse o escritor, que costuma vir ao Brasil pelo menos uma vez por ano. Em Smart, ele trata do fim do Orkut. Martel defende que o Brasil trabalhe numa regulação internacional da internet em parceria com a União Europeia, para tratar de questões como privacidade e competição.

“A internet é geolocalizada”, afirmou o escritor. “Somos 2,7 bilhões de pessoas conectadas no mundo e seremos 5 bilhões em cinco anos. Os mais de 2 bilhões que virão devem ser ainda mais ligados ao seu território. Eles não falam inglês. Acho que o futuro da internet será cada vez mais localizado e personalizado.”

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