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Às vésperas de quebrar, BRA encomenda aviões à Embraer

Anúncio de compra de 40 aviões, por US$ 1,4 bi, foi feito com a presença do presidente Lula e do ministro Jobim

Irany Tereza, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de novembro de 2007 | 00h00

O contrato era bilionário, algo em torno de R$ 1,4 bilhão. O cenário, escolhido a dedo: o tradicional salão aeronáutico de Le Bourget, nos arredores de Paris, que em junho estava sendo realizado pela 47ª vez. Foi ali o primeiro anúncio da compra de 20 jatos da Embraer pela então ascendente companhia regional BRA. Um mês depois, para corroborar o maior contrato para fabricação de aviões fechado no Brasil, uma cerimônia na sede da Embraer, chancelada pela presença do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Hoje, menos de três meses depois, a solenidade assume todos os contornos de factóide."Possivelmente o gesto que a BRA está fazendo neste momento será repetido por outras empresas (...) tenho certeza de que nesses próximos anos a BRA vai colher com o lucro e com o crescimento do número de clientes pela aposta certa que está fazendo de acreditar cada vez mais na aviação regional", discursou um empolgado Lula, que fez questão de chamar apenas pelos prenomes os presidentes da BRA, Humberto Folegatti, e Embraer, Frederico Curado. Em pouco tempo, a aposta da BRA revelou-se exatamente isso: uma aposta. A Embraer recusa-se a falar sobre o contrato, assinado em agosto. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que seria responsável pelos financiamentos para a construção dos aviões, não recebeu sequer uma consulta do negócio. Os 20 jatos de uma encomenda que, na ocasião, anunciaram os executivos, poderia ser duplicada para 40, elevando o contrato para quase R$ 3 bi, evaporaram. Na época, Humberto Folegatti fez questão de classificar como "a maior encomenda de aviões da Embraer feito por uma companhia aérea nacional" a intenção de compra dos aviões da família 195, com capacidade para 118 passageiros. A medida quase dobraria a frota da empresa. Até um ano e meio antes, a BRA operava apenas com vôos fretados (charter) e naquela mesma semana iniciou um também malfadada operação compartilhada com a OceanAir. Analistas chegaram a prever a elevação da malha da BRA. Com reforço da frota, a BRA poderia operar em grandes aeroportos. A compra bilionária dos jatos ainda não foi negada pela Embraer, BRA, BNDES ou pelo Planalto.

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