Às vésperas do 'Conselhão', BC pede moderação em subsídios ao crédito

Segundo a autoridade monetária, os riscos no segmento de crédito ao consumo vêm sendo mitigados; governo, no entanto, deve anunciar novos estímulos hoje

Adriana Fernandes, Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2016 | 10h34

BRASÍLIA - No dia em que o governo deve anunciar linhas para estimular o aumento de financiamentos das empresas e famílias pelos bancos no Conselho de Desenvolvimento Econômico, o Banco Central voltou a alertar que considera oportuno continuar reforçando as iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.

Segundo o BC, os riscos no segmento de crédito ao consumo vêm sendo mitigados. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que o cenário central contempla expansão moderada do crédito, o que já havia sido observado e tende a persistir.

Na avaliação do BC, o mercado de crédito voltado ao consumo passou por moderação, de modo que, nos últimos trimestres, observaram-se, de um lado, redução de exposição por parte de bancos e, de outro, "desalavancagem" das famílias. 

Segundo dado divulgado nesta quarta-feira, o estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 6,6% em 2015 na comparação com o ano anterior, a menor alta desde 2007 - e que só foi garantida devido à atuação dos bancos públicos. 

Nesta quinta-feira, durante reunião do "Conselhão", o ministro Nelson Barbosa vai anunciar a decisão do governo de usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para o crédito consignado. Segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a expectativa do governo é de que essa modalidade de crédito possa impulsionar cerca de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões de empréstimo para pessoas físicas.

Inflação. Enquanto o mercado aposta que o Banco Central não conseguirá entregar uma inflação dentro do teto da meta - de até 6,5% - pelo segundo ano consecutivo, a ata reforçou que a autoridade monetária buscará se circunscrever a esse limite este ano, mas deixou de prometer que buscará "trazer a inflação o mais próximo possível da 4,5% em 2016". O colegiado manteve a intenção de fazer a inflação convergir para centro da meta em 2017. 

A ata informou que a projeção de inflação no cenário de referência para 2016 aumentou ante a reunião anterior e se situa acima do centro da meta de 4,5%. O BC não divulga qual a taxa prevista na ata, mas no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de dezembro, a autoridade monetária revelou que a estimativa estava em 6,2% para o fim deste ano pelo cenário de referência. No RTI, a probabilidade estimada pela instituição de a inflação ultrapassar o limite superior da meta em 2016 subiu de 20% para 41% para esse cenário.

Já no Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, a mediana das estimativas dos analistas para o IPCA de 2016 subiu para 7,23%. No caso do Top 5, a mediana das expectativas para a inflação do ano se situou em 7,92%.

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