Ásia e Europa atingem consenso sobre crise e enaltecem FMI

Líderes dos dois continentes pediram ajuda ao órgão e irão apresentar avaliações no encontro em Washington

Associated Press - Agência Estado,

25 de outubro de 2008 | 09h39

Os representantes europeus e asiáticos afirmaram que alinhavaram um consenso amplo sobre as alternativas para se fazer frente à turbulência financeira global e vão apresentar essas avaliações durante um encontro sobre a crise em Washington, no próximo mês. Em entrevista concedida ao final do Encontro Ásia-Europa, que durou dois dias, em Pequim, os líderes defenderam novas regras para direcionar a economia global e enalteceram o papel de liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar os países afetados pela crise.   Veja também: Lições de 29  Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    O fórum bianual, conhecido como ASEM (na sigla em inglês), normalmente não toma decisões e o comunicado divulgado pelos seus líderes sinaliza a maneira como a crise no mercado global está sendo vista e avaliada pelas instituições. "Eu estou satisfeito em confirmar uma determinação compartilhada e um compromisso da Europa e da Ásia para trabalharmos em conjunto", afirmou o presidente da Comissão Européia, Jose Barroso, no encerramento da entrevista coletiva sobre a conferência.   Ele afirmou que os participantes poderiam utilizar o comunicado como uma base para a abordagem que tomarão no encontro entre os líderes das 20 maiores economias do globo, em 15 de novembro, em Washington. Embora escasso em detalhes, o comunicado, divulgado na sexta-feira, exorta o FMI e instituições semelhantes a ajudarem na estabilização de bancos em dificuldades e na proteção dos preços decrescentes das ações.   "Os líderes concordaram que o FMI deve desempenhar um papel central na assistência aos países seriamente afetados pela crise, desde que seja requisitado a fazê-lo", ponderou o comunicado. Os participantes também concordaram em "se responsabilizarem por uma reforma efetiva e ampla dos sistemas financeiro e monetário internacional", observou o comunicado. O documento é um dos mais contundentes endossos até o momento sobre o papel vital nesta crise do FMI, visto até agora como uma entidade que emprestava recursos só em última instância.   As respostas para a crise entre os participantes do encontro têm variado até agora. Os quinze países que compartilham o euro e o Reino Unido têm reagido de uma forma dramática, concordando em colocar um total de US$ 2,3 trilhões em garantias e ajuda emergencial para socorrer os bancos. Contrastando com essas posições, a Coréia do Sul, China, Japão e os 10 países da Associação do Sudeste Asiático apenas se comprometeram novamente com um fundo emergencial de US$ 80 bilhões para ajudar os grupos que enfrentam problemas de liquidez - que será implementado em junho do próximo ano - mesmo diante do derretimento dos mercados acionários da região e da crise em seus mercados exportadores.   O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou que a inovação financeira precisa ser equilibrada com a regulamentação e defendeu medidas para a redução do impacto da turbulência sobre os empregos, o crescimento e o comércio. "Precisamos utilizar todos os meio para prevenir que a crise financeira tenha impacto sobre o crescimento da economia real", declarou Wen. Ele afirmou que o impacto direto da crise na China tem sido, relativamente, leve, mas o concomitante esfriamento da economia mundial e da demanda por exportações "deve, inevitavelmente, ter efeito sobre a economia chinesa."   Wen disse ainda que a China buscará fazer a sua parte, mantendo um crescimento relativamente acelerado e rápido." Embora a expansão chinesa tenha se desacelerado para 9% no terceiro trimestre - de 11,9% em todo o ano de 2007, o país continua crescendo no ritmo mais acelerado entre as maiores economias.   O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que o encontro em Pequim ampliou as expectativas de que a reunião de líderes em Washington culminará em resultados sólidos. "Eles manifestaram o desejo de que o encontro em Washington seja um lugar em que tomemos algumas decisões e todos nós concordamos que não será possível, simplesmente, apenas nos encontrarmos para debater o assunto. Precisamos transformá-lo em um fórum de decisões", disse Sarkozy.   A chanceler alemã, Angela Merkel, exortou o FMI a ser "um guardião da estabilidade do sistema financeiro internacional" e disse que houve um acordo unânime de que o organismo tem que assumir um papel de supervisão. Ela também propôs uma integração gradual do FMI ao Fórum de Estabilidade Financeira, fundado em 1999 pelo Grupo dos Sete (G-7, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália e Japão) e que tem o objetivo de estimular o sistema financeiro internacional.   O FMI, cujos empréstimos incluem provisões restritas, está discutindo pacotes para uma série de países. Na sexta-feira, o governo da Islândia pediu US$ 2 bilhões ao FMI para fazer frente aos problemas gerados pela crise financeira.

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