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Assediada pela Total, distribuidora Ale tenta vencer resistência de sócio

Interesse da multinacional francesa marcaria um retorno de investidores estrangeiros ao segmento, hoje dominado por grupos locais; segundo fontes, fundo americano Darby e a acionista mineira Asamar são favoráveis à venda da companhia

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2013 | 02h23

O grupo Ale voltou a ser cobiçado no mercado. Mas a mudança de controle da distribuidora de combustível ainda encontra resistência do empresário Marcelo Alecrim, que detém 32% do negócio. A companhia tem como acionistas, além do empresário, o fundo americano Darby, com 18%, a holding Asamar, de Minas Gerais, com 50%.

A francesa Total está olhando os ativos, mas as negociações ainda não avançaram. A Estáter, que representa o grupo francês, não comenta o assunto. Procurada, a Total não retornou os pedidos de entrevista.

Fontes ouvidas pelo Estado afirmam que os dois acionistas - Darby e Asamar - desejam sair do negócio. "O Darby, que entrou como sócio há nove anos, já realizou lucro. Eles entraram quando a rede negociava 30 milhões de litros de combustíveis por mês. Hoje são cerca de 440 milhões de litros mensais", disse uma fonte. O Darby também não comenta o assunto.

Há alguns meses, o grupo Ale buscou a assessoria de importantes bancos, como Bradesco, JP Morgan e Banco do Brasil, para iniciar processo de abertura de capital da companhia. O projeto não foi levado adiante em razão das condições de mercado, mas os bancos continuam na assessoria aos acionistas.

Procurado, o grupo informou, por meio de sua assessoria, que não está à venda e que segue com seu plano de crescimento previsto para 2013. "Neste ano, os investimentos são da ordem de R$ 155 milhões na ampliação e manutenção da rede de postos, bem como na infraestrutura e melhoria da logística em todo o País. A empresa chegará, neste ano, ao faturamento recorde de R$ 10 bilhões", informou o comunicado.

Concentração. Marcelo Alecrim disse que a parte dele, de 32%, não está à venda. Segundo o empresário, a distribuidora já foi sondado por outras companhias no passado. Os grupos Ultra (dono da Ipiranga) e Cosan, quando controlava a Esso, antes da fusão com a Raízen, chegaram a olhar as operações da distribuidora de combustíveis.

Fontes afirmaram que os dois acionistas estão pressionando o empresário a vender sua fatia. Se concretizada a aquisição pelo grupo francês, a entrada da Total no negócio marcaria a retomada de grupos estrangeiros nesse segmento.

O movimento de concentração no setor de distribuição de combustíveis foi muito intenso nos anos 70, com a entrada da BR Distribuidora, criada em novembro de 1971 pela Petrobrás. Nesse período, a multinacional Shell também adotou uma estratégia agressiva de expansão no País, que surtiu efeito.

No início dos anos 90, a Ipiranga ganhou musculatura com a compra da Atlantic. E a expansão de postos de combustíveis de bandeira branca (independentes) também ajudou a empurrar a Esso para o 5º lugar no ranking. Nos anos 2000, novos negócios ocorreram, com a movimentação das nacionais, com a aquisição da Esso pela Cosan (Shell e Cosan anunciaram em 2010 joint venture para criação da Raízen), da Texaco pelo grupo Ultra e da Repsol pelo Ale.

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