Assessor de Malan descarta risco de explosão inflacionária

Apesar da inflação recorde do IGPM, influenciada pela alta do dólar, o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Roberto Iglesias, não vê risco de uma explosão inflacionária em 2003. O combate à indexação dos salários e contratos e o controle do aumento da demanda na economia por meio da taxa de juros terão, na avaliação dele, papel decisivo para que o governo Luiz Inácio Lula da Silva consiga manter o controle da inflação.Em entrevista à Agência Estado, Iglesias disse que à medida que o novo governo recupere a confiança no País e na economia e comece a construir um cenário de credibilidade, a taxa de câmbio vai recuar, assegurando condições para a queda da inflação. Segundo o secretário, existe hoje na economia um cenário em que as expectativas em relação ao futuro da economia também contribuem para alimentar as pressões por aumentos de preços. "Há um elemento de expectativas, derivado de incertezas quanto à possibilidade de uma política mais frouxa pelo novo governo, que contamina os preços", disse.No entanto, ele acredita que confiança poderá derrubar essas expectativas negativas, trazendo reflexos positivos para barrar as pressões por novos aumento de preços. "Estamos numa situação especial, mas a situação vai se estabilizar", disse. O novo governo, porém, não poderá descuidar nenhum só momento do controle da inflação, ressaltou. "O controle da inflação é uma tarefa permanente até que tenhamos uma economia mais sólida que não seja tão afetada pelos choques externos", afirmou.Segundo ele, além do controle da indexação dos salários, o próximo governo não poderá deixar que as tarifas dos preços administrados, como de telefonia e energia elétrica, sejam reajustadas em prazos inferiores a 12 meses, o que é proibido pela legislação vigente. A manutenção de uma política fiscal austera também, na avaliação do secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, será fundamental para o controle da inflação. Outro fator relevante será a política de reajustes dos derivados de petróleo a ser adotada pela Petrobras no governo Lula. "Se o novo governo persistir numa política fiscal de superávits, numa política monetária prudente e conseguir evitar a indexação e estimular a concorrência, teremos um ano com inflação, mas sem descontrole", afirmou.Hoje, parte da pressão para o reajuste dos preços está sendo controlada pelo fraco desempenho da economia, que inibe o aumento da demanda. Mas a longa duração do alta dólar esse ano, ao contrário de 2001, vem reforçando a percepção de que o nível da desvalorização do real é permanente. Esse é mais um fator que pressiona o repasse cambial para os preços. Inicialmente restrita aos alimentos, a influência do dólar já repercute mais intensamente no preço de outros produtos, como de higiene pessoal, eletrodomésticos, mobiliário e vestuário.O secretário acredita, no entanto, que uma economia aberta, com concorrência com os produtos importados e que precisa de competividade para exportar mais, ajuda a inibir a indexação dos preços e salários.

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