Assessor do BNDES defende redução lenta da inflação

Um dos caminhos para diminuir a taxa de juros no Brasil e manter o crescimento da economia, com a sustentação dos indicadores externos, é não exigir uma redução tão rápida da inflação, avalia o assessor da área de planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Eduardo Pires de Souza. "Às vezes ficamos muitos preocupados com o tamanho da inflação brasileira, mas se formos olhar bem, ao longo do ano passado, uma grande parte dos países de economias desenvolvidas e de economias emergentes teve alta de inflação. O Brasil teve uma redução da inflação no mesmo período. Claro que partimos de uma inflação mais alta. Mas estamos caminhando para uma redução", ressaltou o assessor em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". De acordo com Souza, é quase impossível praticar uma política monetária com as atuais taxas de juros brasileiras, superiores às taxas externas. "As contas externas estão com resultados excelentes, mas uma conseqüência desse sucesso é exatamente a queda do risco Brasil. Se você pratica juros tão altos, com um risco País tão baixo, o câmbio se aprecia da maneira como está se apreciando, e isso pode vir a desfazer o saldo em Conta Corrente que vem melhorando todos os nossos indicadores de solvência externa e interna", alerta. O assessor do BNDES destacou, ainda durante a entrevista, a necessidade de um controle maior no orçamento do governo para melhorar a eficiência dos gastos federais. "No ano passado houve de fato uma expansão muito substancial dos gastos públicos, da ordem de 9%. Houve uma expansão da receita que acabou levando ao aumento do superávit primário. Isso não pode continuar assim. Até porque a gente percebe que existe uma resistência muito grande da sociedade à elevação da carga tributária. É o que está acontecendo agora com a MP 232." Questionado sobre um possível impacto do aumento da massa salarial brasileira no consumo em 2005, Francisco disse que isto é um processo natural do crescimento econômico. "A recuperação da economia começou pelo investimento e pelas exportações. Num primeiro momento, os salários estavam em baixa e o emprego também. É natural que a massa salarial cresça e que o investimento passe a ser liderado pela expansão da demanda dos trabalhadores."

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