Assim como em 2013, indústria deve crescer pouco neste ano, afirma CNI

Câmbio e desoneração da folha de pagamentos ajudam competitividade, mas alta dos juros é entrave, segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria

Laís Alegretti, Agência Estado

05 de fevereiro de 2014 | 12h13

BRASÍLIA - A indústria brasileira em 2014 deve ter desempenho semelhante ao de 2013, quando houve pequeno crescimento do setor, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No quadro atual, de acordo com o gerente executivo de Política Econômica da entidade, Flávio Castelo Branco, o crescimento de 2% da indústria é uma expectativa otimista para 2014.

O indicador de horas trabalhadas registrou em 2013 o pior resultado desde 2008, quando houve queda de 9,8%. No ano passado, a queda foi de 2,5%. "Isso reverte expectativa de recuperação mais expressiva das indústrias", afirmou Castelo Branco.

"Você está sem empuxo muito forte para crescimento em 2014", disse. Ele afirmou, entretanto, que a taxa de câmbio mais desvalorizada pode favorecer crescimento do setor. "A taxa de câmbio mais desvalorizada favorece a competitividade nas exportações e na competição com importados no nosso mercado", explicou.

Castelo Branco afirmou que medidas como a desoneração de folha e a redução do custo de energia podem gerar melhora da competitividade. "Mas ainda seguimos com dificuldade que não conseguimos superar, que é o ciclo de juros", afirmou, em referência à alta da Selic. "Essa combinação para manter a inflação sob controle termina sendo desfavorável para o setor industrial."

 

Janeiro. A indústria encerrou 2013 em ritmo lento, conforme divulgou a CNI. Castelo Branco adiantou, entretanto, que em janeiro os indicadores "podem vir mais positivos que os do fim do ano".

Nos últimos meses do ano, segundo a CNI, houve uma forte perda da intensidade da atividade da indústria, especialmente em dezembro. Todos os indicadores do último mês do ano passado apresentaram queda na comparação com o mesmo mês de 2012, com exceção do emprego. No ano, entretanto, esses mesmos indicadores apresentaram alta. "A indústria em 2013 foi muito oscilante. Na média, houve pequeno crescimento", afirmou Castelo Branco. "O ano de 2013 foi um ano de recuperação, mas de recuperação fraca. Mal deu para retomar patamares anteriores", afirmou Castelo Branco. "A indústria mostra certa dificuldade de retomar ritmo de crescimento de forma mais permanente. Os dados anuais positivos são fruto de um efeito sobe desce que dominou todo o ano."

Faturamento. O faturamento foi o indicador que apresentou a maior alta no ano, de 3,8%. O efeito câmbio explica esse resultado, segundo Castelo branco. "Nos períodos de valorização do real, temos perda de faturamento da indústria. Agora, com melhoria do patamar de cambio, isso permite rentabilidade melhor", explicou. Ele aponta que, se o câmbio se mantiver no atual patamar, haverá efeito favorável para o faturamento da indústria também neste ano.

Dos 21 setores pesquisados, 17 apresentaram crescimento no faturamento. A maior ala foi na área de máquinas e materiais elétricos, com 17,7%. Em seguida, aparece madeira, com 12,2%. Por outro lado, mostraram queda bebidas (14,3%), impressão e reprodução (9,0%) farmacêuticos (5,1%) e móveis (2,4%).

Castelo Branco afirmou que as pressões sobre a moeda dos países emergentes vão permanecer ao longo de 2014. "Um dólar mais valorizado por um lado é melhor, mas temos que levar em conta que as moedas dos outros emergentes também estão desvalorizando em relação ao dólar e isso faz com que dificuldades de competição nesses mercados permaneça", disse. "O ambiente internacional não é tão amigável para economias emergentes."

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