Associação alerta para crédito com prazo excessivo

A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) lançou um alerta sobre o alongamento excessivo do prazo de financiamentos ao consumidor, conforme nota assinada pelo conselheiro econômico Istvan Kasznar. Ele defendeu o autocontrole das entidades de crédito e de financiamento "para evitar uma corrida descontrolada por produtos, que tem como resposta final da autoridade (monetária, o Banco Central) uma alta na taxa de juros". Kasznar sugere, "no lugar de abusar, maneirar" na concessão de crédito, "para calibrar adequadamente a oferta, com a demanda capaz de assumir compromissos" e pagar suas contas corretamente.De acordo com os dados do consultor, o comércio varejista estendeu o prazo do financiamento de liquidificadores e de um ferro de engomar para 36 meses, de microcomputadores para cinco anos, de carros para 99 meses e o crédito pessoal foi para dez anos. "Chega-se até a financiar comida no supermercado", citou, criticando que o prazo de financiamento descolou-se do período de vida útil dos bens em questão. "Isto é um perigo, um risco de crédito", alertou, chamando atenção para a possibilidade de uma bolha de crédito. "Surge, ao lado do bom crédito, o crédito de má qualidade, pautado no afã de se fazer mercado", exemplificou.O consultor ressaltou que, quando a economia se aquece e o crédito se expande, diminui a capacidade ociosa e aumentam as pressões sobre os preços. "Logo, ou se produz mais, ou se incentiva a produção, ou se importa. E, se isto não é feito, o Banco Central aumenta as taxas de juros, para policiar e contrair a demanda", declarou. Kasznar lembrou a recente bolha no mercado de crédito americano, "onde créditos a rodo foram parar no financiamento imobiliário e agora são podres". Para ele, este é o exemplo de que há limites para o crédito e pode servir de lição para o Brasil. "O Brasil pode absorver esta mensagem para ajustar-se internamente no seu pujante mercado de crédito".

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