Ed Ferreira/Estadão
Entidade disse que medidas anunciadas nesta segunda vão enfraquecer o papel do Banco do Brasil. Ed Ferreira/Estadão

Associação de funcionários do BB diz que medidas anunciadas pelo banco são 'cortina de privatização'

Para a entidade, decisão de fechar agências e cortar 5 mil funcionários compromete a solidez do banco público e vai afetar diretamente os clientes do BB

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 18h54

BRASÍLIA - A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) cobrou a revisão das medidas anunciadas nesta segunda-feira, 11, de fechamento de agências e desligamento de 5 mil funcionários no plano de reestruturação. Em carta encaminhada hoje ao presidente do BBAndré Guilherme Brandão, a ANABB diz que as medidas transmitem uma percepção de "cortina de fumaça" para encobrir "intenções privatistas" em torno do BB.

Para a entidade, o esvaziamento do BB e o enfraquecimento de sua atuação em áreas chave de negócios comprometem sua solidez e seu papel de banco público. Em comunicado ao mercado hoje, o BB anunciou que serão desativadas 361 unidades, sendo 112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento. O comunicado informa, também, sobre uma reestruturação dos quadros e desligamento de pessoal.

“Uma forma de se desfazer de patrimônio público é ir, gradativamente, enfraquecendo as empresas e comprometendo seu desempenho”, acusa o presidente da ANABB, Reinaldo Fujimoto, na carta encaminhada ao BB em que cobra transparência no processo.

Fujimoto alerta que a medida trará reflexo negativo para milhões de clientes do banco, desconsiderando a realidade brasileira, a dimensão geográfica do País e a necessidade de manter atendimento presencial para milhares de brasileiros.

Para a ANABB, em meio à maior crise econômica do País, as medidas anunciadas prejudicam diretamente os recursos humanos do BB e sobrecarregam a rede de funcionários. “A atuação em plataformas digitais é estratégica, mas não pode ser realizada com prejuízos para a rede física e para o atendimento presencial, considerando a diversidade de perfis dos mais de 70 milhões de clientes do BB”, diz o presidente da ANABB.

“O anúncio pode satisfazer expectativas do mercado de curtíssimo prazo, mas estão na contramão do papel histórico e institucional do Banco do Brasil na economia brasileira, sobretudo em situações de estagnação econômica e de desafios para a retomada do desenvolvimento".

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BB anuncia programa de demissão voluntária para até 5 mil funcionários e fechamento de 112 agências

Banco também anunciou plano de reorganização que estima fechamento de 112 agências e economia de R$ 2,7 bi até 2025; para analistas, movimento mostra esforço para ganhar eficiência, embora BB esteja atrasado em relação a rivais

Felipe Laurence e André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 11h06
Atualizado 11 de janeiro de 2021 | 21h46

O Banco do Brasil informou ao mercado nesta segunda-feira, 11, que aprovou um plano de reorganização para ganhos de eficiência operacional que prevê, entre outras medidas, o fechamento de 112 agências da instituição, além de programas de desligamento, com expectativa de adesão de 5 mil funcionários. O banco estima que a implementação plena das medidas deve ocorrer durante o primeiro semestre deste ano. 

A reestruturação, já esperada pelo mercado, foi vista por analistas como um grande esforço da instituição para atacar seu maior gargalo em relação aos seus pares, a ineficiência, e avançar no processo de digitalização. Contudo, para alguns deles, o movimento veio com atraso em relação a seus principais concorrentes.

Eficiência

O plano de reorganização prevê ganhos de eficiência em 870 pontos de atendimento do País, com a desativação de 361 unidades (112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento), a conversão de 243 agências em postos de atendimento e oito postos em agências, transformação de 145 unidades de negócios em Lojas BB, sem guichês de caixa, relocalização compartilhada de 85 unidades de negócios e criação de 28 unidades de negócios (14 agências especializadas agro e 14 escritórios leve digital). Com esses movimentos, a expectativa do BB é economizar R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões, até 2025. 

O banco aprovou ainda um Programa de Adequação de Quadros (PAQ) para otimizar a distribuição da força de trabalho, equacionando as situações de vagas e excessos em suas unidades, e um Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), disponível a todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos. Segundo o banco, impacto financeiro dos programas desligamento serão informados após o encerramento dos períodos de adesão, que ocorrerá até 5 de fevereiro.

Para o vice-presidente corporativo do BB, Mauro Neto, as medidas se somam a outras já em andamento para otimizar despesas e aumentar a eficiência operacional, como a devolução e venda de prédios corporativos, otimização de espaços físicos, medidas de eficiência energética e novo plano de cargos e salários, que trarão R$ 3,3 bilhões de reais em redução de despesas até 2025.

“As ações que anunciamos hoje baseiam-se em captura de eficiência decorrente de investimentos em digitalização, incluindo robotização e inteligência artificial, e na centralização e simplificação de processos de backoffice, que nos permitem realocar mais recursos para a linha de frente de atendimento aos clientes e geração de novos negócios”, disse o executivo em nota enviada ao Estadão/Broadcast. “Estas medidas buscam uma experiência mais leve e dinâmica aos nossos clientes e fortalecem o banco frente aos desafios presentes e futuros da indústria financeira.”

Avaliação

Na visão do analista Henrique Esteter, da Guide Investimentos, o plano do banco é “bastante positivo” porque ataca “o maior gargalo do banco em comparação aos seus pares”, a ineficiência, associada por ele ao fato de o banco ser uma estatal utilizada da “maneira que bem se entendia por diversos governos”. 

De forma geral, afirma Esteter, as economias expressivas que o BB prevê e a esperada adesão de funcionários aos programas de desligamento estão em linha com a busca por maior eficiência operacional e são uma “sinalização de que o banco vai seguir focando nessas medidas que tanto são aguardadas”.

Ao reduzir a presença no mundo físico e transformar a atuação de centenas de agências, o BB busca reforçar a atração de clientes digitais. O banco conta hoje com 22 milhões de clientes digitais e, segundo apurou o Estadão/Broadcast, pretende atrair pelo menos 5,5 milhões de novos clientes em 2021, repetindo o desempenho do ano passado.

“Em relação aos outros bancos, o BB é o que está mais atrasado em reestruturação, no foco no digital” comenta o analista Vitor Miziara, executivo de alocação da Criteria Investimentos. “É uma notícia positiva atrasada, porque os demais já fizeram. É mais um indício de como o BB é engessado.”

Reinvestimento

Para Julia Monteiro, analista da MyCap, o plano acelera a digitalização da estatal e a coloca em paralelo aos seus pares privados, que também fizeram essas mudanças nos últimos anos. “Essa reorganização já era esperada, os planos de demissão voluntária vão ser cada vez mais frequentes nos próximos um a dois anos e gera uma eficiência operacional importante”, comenta, destacando que o reinvestimento dos cortes de gastos deve direcionado para melhoria nas operações de tecnologia e a distância do BB.

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