Associação do aço na AL pede mais competitividade

O presidente da Associação Latino-Americana de Aço (Alacero), Raúl Gutiérrez Muguerza, disse, nesta quarta-feira, durante apresentação no Congresso Brasileiro do Aço, que apenas o bom desempenho da indústria siderúrgica na região não é suficiente, mas que o setor precisa ser mais competitivo e mais rápido.

FERNANDA GUIMARÃES, Agencia Estado

27 de junho de 2012 | 11h13

O executivo disse também que os produtores de aço latino-americanos conseguiram, nos últimos anos, aumentar seus níveis de produção, mas que os volumes totais da região ainda são pouco representativos perto do total mundial. "O consumo de aço (na América Latina) caiu durante a crise, mas não tanto quanto à média mundial, e após isso apresentou rápida recuperação".

Segundo Muguerza, o consumo em 2012 e 2013, por outro lado, deverá ser negativamente afetado pelo cenário incerto da economia mundial devido, principalmente, à crise da dívida na Europa. "A oportunidade para o setor na América Latina está em promover novas estratégias para a cadeia com valor do aço. A demanda é impulsionada pelos níveis de intensidade em outros setores, como a construção, que representa 40% do consumo do aço", disse.

China

Segundo o sócio da McKinsey & Co Shanghai, A. Sun, o setor siderúrgico na China passa por um período de maior dificuldades, com várias unidades do setor sendo fechadas e com a lucratividade em queda. Sun disse que o crescimento do setor siderúrgico nos últimos 20 anos foi "muito maior do que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)" do país e com taxa de "dois dígitos", mas que agora essa curva se inverteu e o setor deverá crescer menos do que o PIB.

"Até 2020, a demanda por aço acabado deverá ser de 815 milhões de toneladas, com uma taxa de crescimento entre 3% e 4%, com um ritmo muito mais lento", disse. Para o PIB chinês, a expectativa é de que a taxa de crescimento nos próximos 10 anos seja de 7,8%. A. Sun disse, ainda, que o setor de construção de imóveis residenciais deverá ser um dos principais impulsionadores do setor siderúrgico chinês nos próximos anos.

Ele destacou que um dos problemas atuais é o excesso de capacidade produtiva do aço. Segundo ele, a utilização da capacidade na China está entre 82% e 83%, "muito abaixo da linha saudável".

"A super capacidade não deverá ser resolvida no curto prazo", avaliou, dizendo que as 10 maiores siderúrgicas chinesas são responsáveis por 50% da produção do país, abaixo da meta do governo, que é de 70%. "A indústria siderúrgica da China passará por um processo de consolidação. Ela já está ocorrendo, mas não rapidamente".

Ainda de acordo com o sócio da McKinsey & Co Shanghai, o setor do país também precisa se reestruturar. "As siderúrgicas precisam mudar a forma como trabalham com o governo, não conhecem seus clientes. É preciso uma aproximação e uma reestruturação na cadeia de valor", disse.

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