Associação dos Obtentores Vegetais aceita destruição de algodão pirata

A decisão do Ministério da Agricultura (MAPA) em destruir a produção de algodão plantada com sementes pirateadas foi bem recebida pelo presidente da Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais, (Brapove), Ivo Carraro, que afirmou ser favorável ao cumprimento das Leis e Diretrizes determinadas pelo MAPA e pela CTNBio, seja quem for o produtor.A plantação da fazenda Ouro Fino, em Paracatu-MG, de propriedade do diretor e primeiro tesoureiro da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Cornélio Adriano Sanders, foi toda feita com sementes do tipo OGM, pirateadas possivelmente do Paraguai e Argentina. Mesmo embargada pelo MAPA, a lavoura foi colhida e já havia sido distribuída para algodoeiras e uma parte virou semente clandestina comercializada principalmente na região de Luis Eduardo Magalhães-BA.No Estado de Minas Gerais, houveram três interdições de áreas de produção de algodão OGM ilegal, sendo a maior a da fazenda Ouro Fino, com área total embargada de 2.900 hectares plantados com a tecnologia RR da Monsanto, que de acordo com o Parecer Técnico da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) não é apta para comercialização e deveria ser destruída.Cornélio Sanders é reincidente neste tipo de crime. No ano passado teve 3.400 hectares de algodão OGM ilegal já colhido interditado, sendo determinada a destruição do caroço de algodão resultante da produção. Mesmo tendo a autuação do ano passado, ele continuou na ilegalidade e novamente teve campo de produção fiscalizado e embargado pelo MAPA, ficando sobrestado até decisão da CTNBio.Ainda não satisfeito, e não cumprindo a decisão do MAPA, Sanders iniciou a colheita do algodão em pluma embargado. No relatório da fiscalização deste ano está clara a determinação do MAPA sobre a destruição do referido campo de Algodão.Segundo Ivo Carraro, "a Lei precisa ser aplicada na íntegra. O MAPA está correto". Para ele, todos que usam sementes pirateadas sabem do risco que correm. "É uma Lei válida para todo mundo", completou, informando que a semente sem qualidade pode trazer sérias conseqüências às lavouras do País. Ele citou como exemplo o Bicudo, uma doença que arrasou as plantações e que possivelmente entrou no País através de sementes clandestinas, sem controle qualquer. "O sentimento de impunidade é que vem motivando estes produtores, enquanto não conseguirmos repreendê-los com veemência, nossa luta será sempre inglória", finalizou.

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