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Associação rebate críticas argentinas sobre compra de farinha

O diretor-presidente do Moinho Pacífico e um dos porta-vozes da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Lawrence Pih, rebateu nesta quarta-feira as declarações da Federação Argentina da Indústria de Moinhos de Farinha (Faima), que chamou de barreira não alfandegária a análise feita na farinha de trigo argentina no momento de seu ingresso no País, o que ocorre desde o início deste mês. Segundo Pih, a decisão de coletar amostras do produto para análise foi tomada "em função da constante e sistemática fraude" na exportação para o Brasil de farinha de trigo como pré-mistura de farinha, aproveitando uma vantagem tributária de 15%. Enquanto o trigo em grão e a farinha de trigo recolhem na Argentina imposto de exportação de 20%, sobre a pré-mistura de farinha o imposto é de 5%. Por conta dessa diferença, os argentinos têm adicionado, segundo a indústria brasileira, pequena quantidade de sal à farinha de trigo, o que não altera as funções do produto mas permitiria classificá-lo como pré-mistura."Com a fiscalização se pretende barrar essa prática, que já dura dois anos e meio, de exportar farinha como pré-mistura", diz Pih. Segundo ele, nesse período, o ingresso cresceu 400 a 500% enquanto o de farinha caiu 88%. "A fiscalização é um direito e uma responsabilidade do governo brasileiro." A coleta de amostras dos produtos nos postos de alfândega tem por objetivo verificar se a pré-mistura argentina tem outros componentes que não apenas sal. As amostras são encaminhadas a laboratório em Santos (SP). Não há, até o momento, notícias sobre os primeiros resultados.Tarifa Externa ComumPih disse ter "entendido" a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que na última terça rejeitou o pedido da Abitrigo de zerar a Tarifa Externa Comum (TEC) que incide sobre as importações de trigo de fora do Mercosul. A entidade havia manifestado preocupação com a menor oferta de trigo nacional nesta safra por causa de problemas climáticos. A Camex concluiu que não há iminência de desabastecimento de trigo no mercado interno e disse que, se a Argentina não conseguir suprir as necessidades do Brasil, facilitará a importação do cereal de outros países. Para Pih, o Brasil deve colher neste ano 3 milhões de toneladas de trigo e a Argentina, 14 milhões de toneladas. Há uma estimativa de estoque de passagem de 1 milhão de toneladas e oferta de 500 mil toneladas de trigo do Paraguai. "Ou seja, a oferta para Brasil e a Argentina será de 18,5 milhões de toneladas para uma necessidade de 16 milhões de toneladas. Sobram 2,5 milhões de toneladas. A situação de abastecimento é confortável", diz o executivo.O executivo rejeita a idéia de que o Brasil é dependente do trigo argentino. O Brasil importa 60% do trigo que consome, ao redor de 6 milhões de toneladas por ano, e a Argentina responde por mais de 95% do total. Segundo o moageiro, a preferência pelo mercado vizinho se deve à qualidade do produto e aos preços competitivos do trigo.

Agencia Estado,

09 de agosto de 2006 | 16h51

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