Associação teme fast track nas mãos de Bush

A aprovação da Trade Promotion Authority (TPA) - conhecido como fast track - pela Câmara de Representantes deixa o governo dos Estados Unidos com uma "arma muito mais perigosa" do que tinha até agora para barganhar apoios que considerar importantes nas negociações no âmbito da Alca. A avaliação é do presidente da Associação de Empresas Brasileiras para a Integração de Mercados (Adebim), Michel Alaby. "O TPA, que agora só precisa ser aprovado pelo Senado americano, reforça a posição dos Estados Unidos em relação à América Latina. O governo norte-americano certamente a usará como barganha com países que precisam, por exemplo, de seu aval junto ao FMI", disse Alaby.O executivo, também representante de setores exportadores do País, disse que o Mercosul precisa acelerar a aproximação com os países da Comunidade Andina de Nações (Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela e Equador) para reforçar a posição para negociar, em pé de igualdade, com os Estados Unidos na Alca. Alaby acredita ainda que, de posse da TPA, a Casa Branca poderá privilegiar países que se engajem na luta contra o terrorismo.Sobre o recente estudo da Fiesp, na qual a entidade afirma que a Alca será perigosa para o Brasil, Alaby fez uma observação bastante crítica. Para ele, a posição da Fiesp é ambígua, já que, em algumas ocasiões, a direção tem defendido veementemente o engajamento dos empresários na discussão sobre a Alca e sobre a necessidade de o Brasil enfrentar essas negociações de igual para igual.Para ele, o estudo da Fiesp pode estar sinalizando uma "nova onda protecionista" entre os empresários. "Ocorre que a vulnerabilidade externa não será resolvida com protecionismo e de um dia para outro. O Brasil precisa do mercado internacional", afirmou.Alaby prefere acreditar que a Fiesp usou o estudo, na qual a entidade paulista ainda afirma que as exportações brasileiras para o hemisfério passariam apenas de US$ 18,7 bilhões para US$ 19,9 bilhões, enquanto que as importações aumentariam de US$ 20,7 bilhões para US$ 24,2 bilhões, para tentar forçar uma aceleração nas reformas, como a tributária, e para redução dos custo Brasil.

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