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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Assustado com o pânico das bolsas, investidor muda para reduzir risco

O pânico vivido pelo mercado financeiro congestionou as linhas telefônicas de gerentes e administradores de recursos de terceiros nos últimos dias. Do outro lado da linha, investidores confusos e preocupados com o futuro de seu dinheiro. Queriam entender a extensão da crise, saber se a Bolsa continuará em queda e o que é esse tal subprime - nome do segmento de hipotecas de alto risco nos Estados Unidos - que tem chacoalhado os mercados. Tudo isso para decidir se mantêm ou não suas aplicações.Acostumados aos ganhos recordes da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que entre dezembro de 2002 e julho deste ano acumulou valorização de 380%, muitos não tiveram sangue-frio para acolher as recomendações de seus administradores. Desfizeram posições, embolsaram o prejuízo e partiram para produtos mais conservadores, como os DIs, renda fixa com títulos pós-fixados e até mesmo a tradicional caderneta de poupança.Exemplo disso pode ser verificado no site da Associação Brasileira dos Bancos de Investimentos (Anbid) - www.anbid.com.br. Até o dia 14, o patrimônio dos fundos DI em relação ao mês anterior havia crescido cerca de R$ 3 bilhões e o das aplicações de curto prazo, R$ 1,3 bilhão. Enquanto isso, o patrimônio dos fundos de ações já havia recuado cerca de R$ 3 bilhões e o dos multimercados, R$ 1,6 bilhão. Esses números se intensificaram quarta e quinta-feira."Temos percebido resgate nos fundos de ações e aumento de captações nos fundos mais conservadores", confirma o diretor de fundos do Itaú, Moacyr Castanho. Segundo ele, apesar da turbulência, o cenário doméstico ainda é benigno, com queda dos juros e crescimento econômico. Esse é o panorama que o executivo tem passado aos seus clientes. "Todas as sinalizações são de manutenção de um cenário positivo, mas tudo pode mudar. Na semana que vem, pode ter um fator novo que nos faça alterar projeções."Para muitos investidores, pode parecer uma afronta quando os administradores ou gerentes recomendam "muita calma nessa hora" num momento em que a Bolsa apresenta grandes quedas (na quarta-feira, a Bovespa chegou a cair mais de 8%, mas fechou com recuo menor). Na cartilha dos investimentos, a famosa fórmula mágica para ganhar dinheiro em Bolsa já recomenda comprar na baixa e vender na alta. Se tirar o dinheiro agora, no auge da crise, o aplicador vai perder dinheiro, afirma o superintendente de investimentos do Banco Real ABN Amro, Eduardo Jurcevic.Segundo ele, o melhor a fazer é manter posições e mais tarde, quando o mercado se recuperar, avaliar seu apetite a risco. A principal pergunta a responder antes de fazer uma aplicação é em quanto tempo precisará do dinheiro. Se for no curto prazo, esqueça investimentos mais arriscados, como bolsa, fundos multimercados (que apostam em vários mercados) e fundos de renda fixa prefixada. "Nesse caso, fique longe dos mercados agressivos e invista em DI e renda fixa pós-fixado", recomenda o vice-presidente da Sul América Investimentos, Marcelo Mello. Para esses investidores conservadores, até a poupança pode ser interessante no cenário de queda dos juros. Jurcevic diz que, para aplicações de até R$ 20 mil, o produto pode ser até mais rentável que um DI. Isso porque rende TR mais 0,5% ao mês, não tem Imposto de Renda nem taxa de administração. "A poupança voltou a ser competitiva nesse cenário de queda dos juros, para os mais conservadores."Para os investidores mais agressivos, o momento de turbulência pode representar possibilidade de ganhos futuros. O motivo, explica Mello, é o preço dos ativos. Como a Bolsa paulista caiu muito nas últimas semanas, as ações ficaram mais baratas. Junta-se a isso o fato de os administradores acreditarem num cenário positivo para o País. Exemplo disso é que eles ainda recomendam os fundos de renda fixa com títulos prefixados. Esses fundos ganham dinheiro em cenários claros de queda da taxa de juros. O sócio-diretor da Paraty Investimentos, Marco Franklin, diz que o grande problema é que muitos investidores pegam a onda inversa do mercado, se empolgam com a Bolsa, compram quando os ativos estão caros e saem na baixa. Hoje, diz ele, o investidor que entrar nesse mercado vai comprar as ações 20% mais baratas e terá maior possibilidade de ganho. É isso que os mais agressivos estão fazendo neste momento, garantem os especialistas. Os administradores são enfáticos em reconhecer que há um problema no mercado americano de difícil visualização. Todos, no entanto, se mantêm otimistas quanto ao futuro da economia brasileira. "O cenário de médio prazo para o mercado doméstico é bom. Os fundamentos continuam positivos", diz Mello, da Sul América Investimentos. "Mas não temos um número mágico para saber até quando os mercados continuarão em queda", alerta Jurcevic. Nessa situação, eles engrossam o coro do "é melhor ficar onde está até passar a turbulência e somente depois desmontar suas posições". Isso para quem agüentar os fortes movimentos do mercado.

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

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