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Ata da Copom que indica fim da alta do juro é defasada, dizem analistas

BC muda o discurso e reforça o desejo de encerrar o ciclo de aumentos da Selic iniciado há um ano, mas economistas acreditam que, após a divulgação do IPCA de março, que teve a maior alta em 11 anos, instituição terá de mudar sua posição

Adriana Fernandes, Renata Veríssimo e Victor Martins, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2014 | 02h07

BRASÍLIA - Apesar do cenário de inflação persistente, o Banco Central mudou o tom e suavizou o discurso na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, 11. A instituição reforçou o desejo de encerrar o ciclo de alta dos juros, mas deixou a porta aberta para novos apertos. Ao mesmo tempo, indicou preocupação com o crescimento, após nove altas seguidas da Selic, desde abril de 2013.

Boa parte dos analistas, no entanto, considerou que a ata ficou "velha", já que não leva em conta o IPCA de março, que foi divulgado na quarta-feira e ficou em 0,92%, a maior alta mensal em 11 anos. Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, embora o documento sugira o fim do ciclo de aperto monetário, o BC terá de mudar sua posição e estudar a possibilidade de uma nova alta de 0,25 ponto porcentual na Selic em maio.

O sócio da Ibiúna Investimentos e ex-diretor de política monetária do Banco Central, Mário Torós, ponderou também que o contexto doméstico não recomenda que o BC interrompa o ciclo de alta de juros, por conta das pressões inflacionárias. "Mesmo depois de subir a Selic 375 pontos-base, as expectativas de inflação só pioram, o que leva a supor que o BC está atrás da curva", disse.

Na ata divulgada ontem, o BC diz, porém, confiar que parte significativa das nove altas da Selic, que foi de 7,25% ao ano em abril de 2013 para 11%, ainda vai surtir efeito nos índices de preço e na atividade econômica. Um quadro de confiança deprimida também deve colaborar, na visão do BC, para amenizar o custo de vida. "É plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária tendem a ser potencializados", diz a ata.

O presidente da instituição, Alexandre Tombini, reforçou a percepção de que o BC tem intenção de interromper a alta da Selic. Em entrevista ao Wall Street Journal durante a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que interromper a alta "é uma possibilidade". Apesar das indicações do BC de que vai encerrar o ciclo, todas as projeções da instituição para o IPCA em 2014 e 2015 voltaram a subir e permanecem perto do teto da meta (6,5%).

Jankiel Santos, economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, lembrou que o BC, recentemente, não encontrou o cenário que desejava para acabar com o aperto. "A vontade do BC foi frustrada em janeiro, quando os membros do Copom sinalizaram claramente que gostariam de diminuir o ritmo, mas se viram obrigados a mantê-lo."

A ata destaca pela primeira vez a pressão dos alimentos in natura. O BC considera, porém, que o choque, "em princípio", será temporário.       

 

(Colaborou Gustavo Porto e Gabriela Lara)

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