Ata deixou porta aberta para cortes de juros neste ano

De tudo o que está descrito nos 34 parágrafos que compõem a ata da reunião de março do Copom, duas frases mereceram maior atenção dos especialistas em “coponês” – o idioma com o qual o Banco Central se comunica com o mercado. A mais importante, inserida no parágrafo 32, destaca a menção ao “hiato do produto mais desinflacionário que o inicialmente previsto” – ou seja, a atividade econômica estaria rodando abaixo da capacidade instalada. A outra, localizada no parágrafo 27, ressalta que “a margem de ociosidade do mercado de trabalho encontra-se elevada”.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2016 | 22h24

A mensagem transmitida seria a de que o BC está mais confiante no poder de a recessão segurar altas de preços. Reforçam esse entendimento a ausência de duas expressões que constavam de documentos anteriores – o BC deixou de considerar “desfavorável” o balanço de riscos para a inflação e não repetiu que é preciso “determinação e perseverança” na política monetária.

Consequência prática dessa análise é que grande número de analistas passou a incorporar cortes na taxa de juros a partir do segundo semestre.

Ganhou corpo o entendimento de que o BC vai esperar confirmação dos efeitos desinflacionários tanto de fatores de demanda, como o aumento do desemprego, quanto de elementos de oferta, caso dos reajustes mais moderados de preços administrados. Dificilmente, porém, deixaria de iniciar um ciclo de cortes nos juros ainda este ano – seria o primeiro em quatro anos –, sobretudo se o câmbio, segundo hipótese que passou a ser mais considerada, apresentar menor desvalorização ao longo do ano.

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