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'Ata deve indicar se desaceleração já preocupa BC'

A ata da última reunião do Copom, que será divulgada nesta quinta-feira, será importante para indicar se a desaceleração da economia doméstica já começa a preocupar o Banco Central (BC), o que poderá influenciar as próximas decisões de política monetária, comentou o economista-sênior do Barclays Capital, Guilherme Loureiro. "Alguns indicadores relativos ao nível de atividade doméstico mostraram certa acomodação, mas chamou a atenção de muitos analistas o IBC-Br, que caiu (0,53%) em agosto, ante julho", disse.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

25 de outubro de 2011 | 08h03

Segundo Marcelo Salomon, um dos dois chefes da área de pesquisa para América Latina do banco inglês, o BC vinha manifestando até recentemente que a piora do cenário externo era o principal motivo que o levou a adotar uma estratégia de corte de juros a partir do final de agosto. "Caso o Copom manifeste na ata que há agora também uma preocupação com o desaquecimento do PIB do Pais por fatores internos, muitos investidores poderão imaginar que a Selic poderá chegar a 8% no próximo ano, o que vai derrubar a curva de juros", destacou. "A questão é saber se o BC quer que o mercado tenha tal interpretação de trajetória mais acentuada da redução da Selic, pois isso poderia gerar uma expectativa de mercado que não condiz com o patamar elevado da inflação", emendou.

Salomon e Loureiro não acreditam que o nível de atividade doméstica esteja ingressando num ciclo vigoroso de perda de velocidade. Eles estimam que o PIB vai baixar da alta de 7,5% no ano passado para 3,4% em 2011, mas deve retomar o fôlego e avançar 3,9% em 2012. Na avaliação dos especialistas, a alta nominal do salário mínimo de 14% no ano que vem é um dos principais elementos que serão importantes para manter o crescimento num patamar próximo a 4% num horizonte pouco superior a 12 meses.

"Cerca de um terço dos trabalhadores ocupados no Brasil ganha de um a dois salários mínimos", destacou o economista-sênior. Segundo ele, este indicador vai colaborar para que a massa real de salários suba 4,5% no próximo ano. Tal avanço deste indicador sinaliza que o mercado de trabalho continuará bem favorável no médio prazo, pois ele aponta que a taxa de desemprego medida pelo IBGE deve atingir a média de 6% no quarto trimestre de 2011 e subir um pouco no ano seguinte, pois deve atingir 6,5% no mesmo período de 2012.

Inflação

É sobretudo o desempenho favorável do nível de atividade de agora até o final de 2012 que leva os economistas do Barclays Capital a avaliarem que a inflação no Brasil permanecerá alta nesse horizonte de tempo, pois deve encerrar 2011 no teto de 6,5% e atingir 5,9% no próximo ano. Como o cenário global traçado pelo banco inglês não avalia que os EUA e a Europa vão entrar em recessão até o final do ano que vem, Marcelo Salomon pondera que os ventos desinflacionários que virão do exterior serão mais fracos do que os esperados pelo governo.

"Neste contexto, os preços de commodities metálicas e alimentícias devem ficar estáveis de agora até o fim do ano que vem. E para ajudar a diminuir a inflação no Brasil essas cotações deveriam cair", destacou Salomon. Ele avalia que o barril do petróleo tipo Brent deve atingir no quarto trimestre de 2012 a média de US$ 112,00, marca próxima ao que deve ser registrado no mesmo período deste ano, quando deve ficar entre US$ 110,00 e US$ 115,00.

O Barclays Capital destaca que a inflação em maio de 2012 deve atingir no Brasil a marca de 5,4% no acumulado em 12 meses, em linha com o esperado pelo Banco Central, que é uma taxa de 5,3%. Mas Guilherme Loureiro aponta que esta redução vai ocorrer basicamente devido a efeitos estatísticos, pois serão retirados do cálculo os meses que registraram altas vigorosas do IPCA e serão agregados valores mensais mais moderados. "Porém, a inflação deve rodar de agora até maio a uma média mensal de 0,50%, que é um patamar elevado", comentou Marcelo Salomon. Essa velocidade mensal equivale ao IPCA atingindo 6,16% em termos anualizados. De junho até dezembro de 2012, o banco inglês estima que o índice vai apresentar uma alta média mensal de 0,45%, o que representa uma velocidade equivalente a 5,53% num horizonte de 12 meses.

"Não concordamos com a avaliação do BC de que a inflação vai atingir 5,3% em maio e depois vai cair para 4,7% no final de 2012", comentou Salomon. Para o economista, que é um dos chefes de pesquisa para América Latina do Barclays Capital, o BC continua muito preocupado em manter a inflação no objetivo central de 4,5%, mas também tem meta de crescimento do PIB e do câmbio. "O governo quer o IPCA entre 4,5% e 6,5%", disse. Contudo, ele pondera que é não é ruim a intenção do governo de garantir um certo nível mínimo de expansão do País, apesar da inflação acima da meta, numa econômica global delicada, na qual especialmente Europa e EUA estão lutando muito para fugir da recessão.

"A situação da economia mundial é muito delicada e o Brasil está bem. O País tem indicadores fiscais melhores que os da Alemanha", comentou Salomon. O banco inglês espera que a economia norte-americana deve registrar expansão de 1,8% neste ano e de 2,5% em 2012, enquanto que a Europa deve apresentar um desempenho inferior no período, pois deve baixar de 1,7% em 2011 para 0,9% no próximo ano.

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