Ata do banco central da Inglaterra surpreende investidores

Presidente do BOE defendeu um estímulo maior, mas ficou em minoria no último encontro do comitê

Regina Cardeal, da Agência Estado,

19 de agosto de 2009 | 10h13

O presidente do banco central da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês), Mervyn King, queria um aumento no programa de compra de bônus do banco ainda superior aos 50 bilhões de libras decidido no último encontro do comitê de política monetária, mostraram as minutas da reunião do dia 6. Naquela data, o comitê surpreendeu os investidores ao estender seu programa de afrouxamento quantitativo, de comprar bônus com dinheiro criado pelo banco central, para 175 bilhões de libras.

 

Mas as notícias de que King ficou em minoria apenas pela terceira vez como presidente e defendeu um estímulo maior é igualmente surpreendente para muitos investidores. Os bônus do governo do Reino Unido dispararam com a notícia e a libra caiu acentuadamente, enquanto os investidores avaliavam a possibilidade de um novo afrouxamento monetário.

 

O bônus benchmark de dez anos subiu para 107,445, projetando taxa de 3,572%, de 107,025 minutos antes da divulgação do documento, enquanto a libra caiu mais de 0,50 cent para US$ 1,6402 e o euro atingiu a máxima intraday de 0,8594 libra.

 

"A ata sugere que há um potencial para o afrouxamento quantitativo ser ampliado se tivermos qualquer dado decepcionante", disse James Knightley, economista do ING Bank.

 

King, juntamente com os membros externos David Miles e Tim Besley, defendeu um aumento para um total de 200 bilhões de libras, argumentando que havia um risco de que a inflação ficasse abaixo da meta de inflação do banco central, de 2%, por um período prolongado.

 

"As consequências adversas potenciais de adicionar outro grande estímulo monetário pode ser menos severa do que os possíveis custos de agir muito cautelosamente", disseram.

 

O comitê de política monetária foi unânime em manter a taxa de juro em seu recorde de baixa de 0,50%, onde está desde março.

 

A minoria alegou que um longo período de inflação abaixo da meta poderia pressionar as expectativas de inflação e afetar negativamente a confiança pública na recuperação. Isso poderia abalar a confiança na eficácia da política do BOE, reduzindo seu impacto no futuro, disseram.

 

Mas outros membros afirmaram que alguns dos riscos mais imediatos à economia haviam cedido e destacaram que os canais pelos quais o afrouxamento quantitativo funciona e o tamanho e a velocidade deste impacto eram incertos. "As substanciais injeções de liquidez na economia podem resultar num indesejado aumento de alguns preços de ativos que podem se mostrar difíceis de retificar ou num movimento para cima das expectativas de inflação", disseram. As informações são da Dow Jones.

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