Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ata do BC cita política monetária estimulativa e retira trecho que sugere alta na taxa de juros

Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) retirou trecho do texto em que o BC indicava que estímulo à economia via taxas de juros menores deveria ser removido gradualmente

Fernando Nakagawa e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2018 | 09h25

Na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, 18, a direção do Banco Central (BC) manteve a avaliação de que o atual cenário econômico exige política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural, mas retirou trecho do texto em que o BC indicava que esse estímulo deveria ser removido gradualmente. No documento conhecido nesta manhã, os diretores da autoridade monetária defendem que o ambiente "prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente" de 6,50% ao ano.

No parágrafo 26 da ata da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), os diretores do BC repetiram a avaliação de que "a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa".

Ao contrário da ata divulgada após a reunião de outubro, o texto de dezembro não menciona mais que "esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora".

O documento conhecido na manhã de terça-feira, 18, nota ainda no parágrafo 26 que "a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente". Para os próximos meses, os diretores do BC afirmam que "os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação".

Inflação confortável e risco menor de não realizar reformas

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) entende que, desde outubro, aumentou o risco de a ociosidade da economia gerar aumento de preços inferior ao esperado. Por outro lado, diretores do BC reconheceram que diminuiu o risco de frustração das expectativas com o avanço das reformas econômicas. Por isso, os membros do Copom avaliaram que a assimetria no balanço de riscos para a trajetória da inflação persiste, mas de maneira menos intensa.

As avaliações constam da ata da reunião de dezembro do Copom, que manteve o juro em 6,50%. No parágrafo 15, o documento diz que "o risco de o nível de ociosidade elevado produzir trajetória prospectiva de inflação abaixo do esperado aumentou" desde outubro. Já a possibilidade de uma surpresa gerada à frustração nas reformas estruturais diminuiu. No fim de outubro, as eleições gerais elegeram Jair Bolsonaro (PSL) como novo presidente da República.

"Dessa forma, os membros do Copom concluíram que persiste, apesar de menos intensa, a assimetria no balanço de riscos para a inflação", avaliam os diretores do BC. Apesar de a assimetria estar menos intensa, o Comitê ressaltou que "os riscos altistas para a inflação permanecem relevantes e seguem com maior peso em seu balanço de riscos".

No parágrafo 14, os diretores do BC notaram que as projeções para a inflação futura "encontram-se em níveis apropriados ou confortáveis e que as projeções indicam convergência da inflação em direção às metas ao longo de 2019 e 2020". A trajetória dos números, dizem os membros do Copom, "é consistente com as expectativas de inflação, que permanecem ancoradas". "Ressaltaram, entretanto, os riscos para a consolidação desse cenário no médio e longo prazos, principalmente aqueles relacionados ao andamento das reformas e ajustes necessários na economia brasileira", cita o texto.

Cenário externo desafiador

Os diretores do Banco Central avaliam que o cenário internacional permanece "desafiador" para as economias emergentes. Entre os riscos a esses mercados, os membros do BC notam que há relacionados ao juro em economias avançadas e também sobre o futuro do comércio internacional.

No parágrafo 13, os diretores do BC notaram que há "continuidade da maior volatilidade nos preços de ativos de risco" no cenário externo e foram avaliados possíveis efeitos negativos de eventual aumento na aversão ao risco nos mercados internacionais.

"O cenário básico do Copom contempla normalização gradual da política monetária em alguns países centrais. Os membros do Copom reconheceram a incerteza associada à continuidade da expansão do comércio internacional, com possíveis impactos sobre o crescimento global e sobre a economia chinesa, em particular", cita o documento.

Apesar do risco externo mencionado, os membros do BC voltaram a destacar que a economia brasileira tem capacidade para "absorver revés no cenário internacional, devido à situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao ambiente com expectativas de inflação ancoradas e perspectiva de recuperação econômica".

Reformas estruturais para manuntenção da inflação dentro da meta

A ata voltou a defender que a continuidade do processo de reformas e ajustes na economia brasileira "é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia".

A defesa, feita no parágrafo 27 do documento divulgado nesta manhã, nota ainda "que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes".

O documento diz ainda que todos os diretores "voltaram a enfatizar que a aprovação e implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na economia brasileira são fundamentais para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável".

Os diretores do BC notam ainda a percepção de continuidade das reformas "afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes". Além das reformas estruturais, o documento ressalta a importância de outras medidas para aumentar a produtividade e a eficiência da economia, além de melhorar o ambiente de negócios.

No parágrafo 25, os membros do BC repetiram a avaliação de que a manutenção do juro em 6,50% "reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2019 e, em menor grau, de 2020".

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