Ata do BC japonês mostra cautela com medidas de estímulo ao crédito

Instituição defende a ideia de fortalecer a economia do país, mas vê  a necessidade de formular medidas para evitar efeitos indesejados

Hélio Barboza, da Agência Estado,

26 de maio de 2010 | 07h50

As autoridades do Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês, banco central do país), em sua reunião do final de abril, apoiaram a ideia de se fazer algo novo para fortalecer os fundamentos econômicos do país, mas também viram a necessidade de formular cuidadosamente algumas medidas para evitar efeitos indesejados. Essas foram as conclusões reveladas pela ata da reunião do comitê de política monetária do BOJ de 30 de abril, divulgada nesta quarta-feira, 26. A ata da reunião permite vislumbrar a cautela das autoridades do banco central japonês em relação às medidas para estimular o crédito bancário, defendidas na ocasião pelo presidente do BOJ, Masaaki Shirakawa, e apresentadas com mais detalhes na última reunião do banco, em 20 e 21 de maio.

De acordo com o esboço da decisão do BOJ, divulgado após a reunião de maio, a instituição pretende estimular os bancos a financiar os setores com alto potencial de crescimento. Para isso, o BOJ fará empréstimos aos bancos, com prazo de um ano, à taxa de 0,1% ao ano. Alguns economistas acham que essa medida pode ajudar a combater a deflação, enquanto outros argumentam que a intervenção do BOJ pode causar o que eles chamam de alocação inadequada do capital, e que o banco deveria deixar a política industrial para o governo.

"Os membros compartilharam a opinião de que, dadas as atuais condições econômicas do Japão, seria necessário fortalecer os fundamentos para o crescimento econômico", diz a ata das discussões entre os oito integrantes do conselho do BOJ. Isso significa que "é necessário que o banco se esforce para contribuir com tal fortalecimento".

Segundo a ata, os membros do comitê também concordaram em tentar impedir que as novas medidas imponham algum "constrangimento" ao funcionamento regular da política monetária, e em evitar o envolvimento excessivo do banco central na atividade das empresas. Eles também compartilharam a visão de que é necessário garantir que qualquer medida não prejudique a saúde financeira do próprio banco central.

A ata deixa claro que, embora o comitê do BOJ esteja unido, seus membros têm a mesma preocupação que os economistas privados em relação às novas medidas de estímulo ao crédito, e preferem agir com cuidado na finalização dessas providências. As informações são da Dow Jones.

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