André Dusek/Estadão
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Ata do Copom deixa porta aberta para aumento da Selic

Ata da última reunião do Copom, que manteve a taxa de juros em 6,5% ao ano, confirmou que o aumento poderá ocorrer gradualmente caso cenário de inflação e balanço de risco piorem

Fabrício de Castro e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2018 | 08h47

BRASÍLIA -  O Banco Central reafirmou nesta terça-feira, 25, na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 6,5% ao ano, que a conjuntura econômica ainda prescreve política monetária estimulativa. "Ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural".  

No entanto, o BC afirmou que as taxas podem subir caso o cenário de inflação ou o balanço de riscos apresentem piora. 

A instituição, assim como no comunicado da decisão da semana passada sobre a Selic (a taxa básica de juros), não vinculou explicitamente uma possível piora do cenário ao resultado das eleições de outubro. 

Porém, o BC citou, entre os riscos, a possibilidade de "frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira". É justamente a continuidade das reformas - que depende do futuro governo - que mais preocupa o mercado financeiro. 

A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada há pouco, indicou que a projeção para o IPCA de 2018 no cenário de referência está em 4,4%. Já a projeção para 2019 é de 4,5%.

A recente disparada do dólar não preocupa o Banco Central.  No documento, os diretores da instituição afirmam que, "com exceção de alguns preços administrados, o nível de repasse tem se mostrado contido". A avaliação ocorre após a escalada das cotações do dólar nas últimas semanas e a consolidação do câmbio no patamar de R$ 4.

Os membros do Comitê explicam que a avaliação sobre o grau de repasse cambial na economia brasileira ocorreu à luz da estratégia do BC que prevê que a política monetária "deve reagir a choques que produzam ajustes de preços relativos".

Apesar da percepção de o repasse cambial tem sido contido, o documento pondera que a intensidade desse repasse do dólar para a inflação "depende de vários fatores, como, por exemplo, do nível de ociosidade da economia e da ancoragem das expectativas de inflação". Por isso, o BC diz que "continuará acompanhando diferentes medidas de repasse cambial, inclusive para medidas de inflação subjacente".

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