Ata do Copom indica novo corte de juros

Retomada lenta da economia leva BC a dar sinal de novo corte, mas com 'parcimônia'

ADRIANA FERNANDES, FERNANDO NAKAGAWA/ BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h03

O fraco crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre foi decisivo para o Banco Central (BC) indicar a continuidade dos cortes do juro básico da economia, a taxa Selic. Para o Comitê de Política Monetária (Copom), o ritmo da atividade tem sido pior que o previsto e, por isso, há espaço para corte adicional da Selic sem prejuízo da inflação. A ação, porém, será feita com "parcimônia", promete o BC.

"Considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia", diz a ata da reunião de abril do Copom, divulgada ontem.

O texto mudou mais uma vez o tom ao explicitar que o quadro econômico é menos preocupante que o esperado e que, para ajudar no crescimento, a diminuição da Selic pode continuar.

A volta do termo "parcimônia" foi a principal novidade do documento. Em 2006 e 2007, o BC havia adotado a palavra para sinalizar que a estratégia de queda dos juros continuava em curso, mas em dose menor.

Na semana passada, o juro caiu 0,75 ponto porcentual, para 9% ao ano.

No mercado de juros futuros, criaram-se três apostas: corte de 0,25 ponto porcentual, redução de 0,50 ponto ou estabilidade da taxa na próxima decisão do Copom, em maio.

A avaliação do cenário feita pelo BC mudou porque a atividade doméstica frustrou até previsões pessimistas.

Além disso, a inflação segue mais baixa que o esperado nos primeiros meses do ano e o cenário externo ainda é marcado por grandes incertezas, com o ritmo de crescimento global também fraco.

Crédito. Um novo corte de juro estaria alinhado com o plano da equipe econômica de tentar acelerar a economia brasileira com mais crédito e menos juros.

A intenção do governo é aumentar a demanda por bens e serviços com a injeção de empréstimos nos orçamentos das famílias e das empresas.

O texto divulgado ontem mostra que os diretores do BC não veem riscos adicionais para a inflação, o que poderia interromper os cortes.

A avaliação é de que o cenário de desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial de inflação, verificada em março continua em abril.

Inflação. O otimismo ecoa no mercado financeiro e parte dos analistas já reduz projeções de inflação. Entre os perigos citados para os preços, estão aqueles gerados pela diferença entre oferta e demanda e a chance de aumentos de salários incompatíveis com a produtividade.

Para o departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, a ata sinaliza novo corte de 0,50 ponto porcentual no próximo mês.

"Acreditamos que o BC deva avançar no ciclo de afrouxamento monetário com a taxa Selic sendo levada a 8,5% na próxima reunião, permanecendo neste patamar ao longo de 2012", cita relatório assinado pelo diretor Octavio de Barros.

Em uma configuração diferente, mas com o mesmo resultado, o Citibank trabalha com duas reduções de 0,25 ponto porcentual, uma em maio e outra em julho, com juro em 8,5% até o fim do ano.

Já o HSBC Brasil acredita que a decisão do próximo mês do Comitê de Política Monetária do Banco Central deverá ser de um corte de 0,25 ponto porcentual ou de 0,50 ponto, com alguma vantagem da segunda opção. A magnitude da nova redução está condicionada à evolução de indicadores macroeconômicos, como a atividade doméstica e a inflação no Brasil.

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