Ata do Copom indica que Selic permanecerá em 19,75%

O Copom avaliou, em sua última reunião, que a manutenção da taxa básica de juros por um período suficientemente longo de tempo em 19,75% seria capaz de proporcionar condições adequadas para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas. Isso significa, de acordo com a ata da última reunião, divulgada hoje pelo Banco Central, que não haveria necessidade de prosseguir com o processo de ajuste. O Copom alertou, porém, que a estratégia de política monetária "será prontamente adequada às circunstâncias "caso se verifique uma "exacerbação de riscos que implique a alteração do cenário.O Banco Central avalia, na ata da última reunião do Copom, que os efeitos do ciclo de aumento da taxa de juros básica (Selic) iniciada em setembro de 2004 já podem ser sentidos nos resultados da inflação nos primeiros meses do ano e nas projeções futuras realizadas pelo próprio BC e por analistas de mercado. O Copom espera um redução no ritmo de expansão da atividade econômica "mais condizente com as condições de oferta, de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação". Há também a avaliação de que houve uma redução na persistência de focos localizados de pressão inflacionária e de melhora no cenário externo, mesmo com a elevação dos preços internacionais do petróleo. "Dessa forma, reduziram-se, em relação à reunião de maio, os riscos a que está submetido o processo de convergência da inflação para a trajetória de metas", diz a ata do Copom divulgada pelo Banco Central. Política monetária reduz pressões inflacionáriasA Ata mostra que a política monetária adotada tem contribuído para conter as pressões inflacionárias de curto prazo e permitido a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Segundo a Ata, houve uma queda nas expectativas de inflação de 12 meses. Para 2006, as projeções de inflação, contudo, mantiveram-se estáveis.De acordo com a ata, as expectativas de inflação de 2005 começam a ser sensibilizados de forma mais perceptíveis por desenvolvimentos favoráveis que contribuem para arrefecer as pressões inflacionárias.A Ata destaca que a projeção de inflação no cenário de Selic em 19,75% e dólar a R$ 2,47 apresentou redução em relação à reunião anterior do Copom, mas ainda se situando acima do objetivo de 5,1% para o ano.Preços domésticos dos combustíveis não terão reajuste em 2005O Copom considerou, em sua última reunião, a hipótese de que não haverá reajustes nos preços domésticos dos combustíveis em 2005. Considerou, no entanto, como um fator de risco para a trajetória futura da inflação o desfavorável quadro externo sobre o petróleo. Isso por conta do impacto que o aumento dos preços internacionais do petróleo poderá ter nos preços dos insumos e nas expectativas dos agentes econômicos. De acordo com a Ata da última reunião, o Copom considerou o quadro em que os preços do petróleo, após as elevações registradas em março e abril, entraram em trajetória de queda em maio embora nas últimas semanas esse comportamento tenha se revertido. Esse movimento nos preços segundo a Ata, ocorre como resposta a novas informações sobre condições de demanda, possíveis redução de oferta por parte dos países produtores e nível dos estoques disponíveis nos países consumidores.A Ata da última reunião mostra que a previsão sobe a trajetória futura do petróleo é marcada pela incerteza . Preços monitoradosA ata do Copom ainda destaca o recuo para 0,49% da inflação medida pelo IPCA em maio, a maior redução desde outubro de 2003. Em abril, o índice atingiu 0,87%, o maior desde julho de 2004, e o terceiro mês consecutivo com alta da inflação. A queda em maio, na avaliação do Copom, se deve em grande parte à menor variação dos preços monitorados, apesar da aceleração dos preços do vestuário. Mesmo com as pressões das tarifas de energia elétrica, o conjunto dos preços monitorados registrou baixo incremento, em função da queda nos preços dos combustíveis. O Copom ainda destaca a desaceleração dos núcleos do IPCA em maio. O núcleo por exclusão de itens monitorados e de alimentos no domicílio, que apresentou maior variação em abril entre as três medidas consideradas, desacelerou em maio, refletindo o arrefecimento dos preços livres, tanto de bens comercializáveis como de não-comercializáveis. O núcleo sem suavização foi o que mais se desacelerou, segundo o Copom, em linha com a menor variação do índice pleno. O índice com suavização foi o que menos se desacelerou e o que permanece com o maior valor acumulado nos últimos doze meses. O Copom destaca que embora haja a desaceleração de todas as medidas de núcleo, seus níveis ainda não alcançaram aqueles compatíveis com a trajetória de metas de inflação.IndústriaO Copom avaliou ainda que deve haver uma estabilidade da produção industrial em maio, seguindo o cenário de abril quando o IBGE apurou um quadro de estabilidade, em termos dessazonalizados, depois de um crescimento de 1,5% em março. O resultado de abril manteve a produção industrial em nível próximo ao seu máximo histórico, atingido em dezembro de 2004. Somente a categoria de bens intermediários registrou crescimento em abril. Houve queda na produção de bens de consumo - tanto de duráveis, como de semiduráveis e não duráveis. A produção de bens de capital caiu em abril, após ter apresentado alta expressiva em março. A análise das médias móveis trimestrais sugere, segundo o Copom, que em abril a produção de bens de consumo duráveis manteve a trajetória de crescimento dos últimos meses, e que a produção de bens de consumo semiduráveis e não duráveis registrou queda. Houve queda também na produção de bens de capital. Os bens intermediários, entretanto, interromperam a trajetória de redução observada desde setembro de 2004.Para o Copom, se o comportamento observado em abril se mantiver, deve haver uma mudança no padrão verificado nos dois meses anteriores, em que os bens de consumo duráveis mais sensíveis ao crédito sustentavam forte desempenho, enquanto itens mais sensíveis à renda perdiam dinamismo. No entanto, o Copom afirma que ainda serão necessárias mais observações para caracterizar possíveis mudanças no padrão da atividade industrial.PIB mostra acomodaçãoO Copom considerou, em sua última reunião, a acomodação do ritmo de crescimento da economia após oito trimestres consecutivos de expansão desde 2003. Avaliou, porém, que o ritmo de crescimento da economia deverá voltar a se acelerar ao longo dos próximos trimestres, o que é mostrado pelo comportamento dos indicadores antecedentes da atividade econômica e como consolidação do processo de ajuste nos juros, implementado desde setembro de 2004.A Ata da última reunião cita a informação de que o PIB apresentou crescimento dessazonalizado de 0,3% no primeiro trimestre de 2005 em relação ao último trimestre de 2004.O crescimento nos trimestres anteriores, destaca a Ata, foi sustentado pela agropecuária (expansão de 2,6%) enquanto a indústria e os serviços apresentaram quedas de 1,0% e 0,2%, respectivamente.De acordo com a ata, a acomodação no ritmo de crescimento foi mais visível nos componentes da demanda doméstica - redução de 3,0% na formação bruta de capital fixo e de 0,6% no consumo das famílias.A ata registra que a queda no desempenho do investimento ocorreu pelo segundo trimestre consecutivo. No caso do consumo das famílias, a ata destaca que a queda ocorreu após crescimento em todos os trimestres de 2004. A ata ressalta ainda a o crescimento tanto das exportações (3,5%) como das importações (2,3%) em relação ao último trimestre de 2004. "O crescimento das exportações líquidas confirmou o aumento, no período, da importância relativa da demanda externa como fator de sustentação do crescimento da economia", afirma a Ata.Mercado ExternoO Copom detectou uma melhora no cenário externo em relação ao à última reunião dos diretores do BC em maio, embora os mercados financeiros internacionais tenham permanecido voláteis. O BC acredita que a elevação dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos acabou sendo revertida e os títulos de 10 anos atingiram no final de maio seu maior valor desde abril de 2004, antes do início do processo de ajuste na política monetária norte-americana. O Copom também avalia que houve recentemente uma absorção, ainda que parcial, dos choques associados à reavaliação da qualidade do crédito nos Estados Unidos. No caso do Brasil, houve a reversão nos movimentos de alta no prêmio de risco-Brasil e de depreciação na taxa de câmbio.No entanto, para o Copom, as condições de liquidez e a estabilidade dos mercados continuam sujeitas ao quadro macroeconômico nos países industrializados, especialmente nos Estados Unidos, e à possível resposta da política monetária do Fed à sua evolução. Os diretores do BC afirmam que continua sendo um fator de preocupação adicional os desequilíbrios nas contas externas de algumas das principais economias mundiais e à possibilidade de que eventuais ajustes em suas trajetórias determinem grandes flutuações cambiais. Apesar desse quadro de incertezas, o Copom continua atribuindo baixa probabilidade a um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros internacionais.Preços de produtos industriaisA ata do Copom aponta também a queda registrada nos preços dos produtos industriais e agrícolas em maio e nos primeiros dez dias de junho. O Índice de Preços ao Atacado (IPA) de produtos industriais, ao contrário do ocorrido nos meses anteriores, registrou deflação em maio. Ainda houve novo recuo no IPA de produtos agrícolas, revertendo as fortes altas registradas em fevereiro e março em função de condições climáticas desfavoráveis.Dados do IGP-M para os dez primeiros dias de junho indicam também arrefecimento do recuo nos preços dos produtos agrícolas, mas intensificação da queda nos preços dos produtos industriais. Em todo caso, diz a ata, deve haver uma acomodação consistente de preços no atacado.O BC mantém a avaliação das últimas reuniões do Copom, de que a menor variação do IPA industrial nos últimos meses reflete, em parte, a apreciação cambial observada no período e a própria ação da política monetária, podendo ter efeitos benéficos sobre a variação futura dos preços ao consumidor."A intensidade desses repasses dependerá, naturalmente, das condições prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação", avalia os diretores do BC. Oferta agregada é foco de preocupaçãoA Ata da última reunião do Copom destaca ainda que o desempenho da oferta agregada nos próximos meses é um foco de preocupação para o desempenho da inflação. Conforme a ata, essa preocupação refere-se à possibilidade de ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento da demanda.Com base em dados da CNI, a Ata mostra que o indicador de investimento representado pela absorção de bens de capital registrou expansão de 1,8% no acumulado do ano até abril. Esse nível lento de crescimento, conforme a Ata, é decorrente de uma redução nosinvestimentos em maquinário agrícola.Já a produção de bens de capital acumulou crescimento de 13,0% nos doze meses terminados em abril. Os integrantes do Copom consideraram pouco plausível a hipótese de manutenção do nível de acomodação do crescimento econômico. Mercado de trabalho mantém bom desempenhoO Copom avaliou, em sua última reunião, que o mercado de trabalho continua apresentando um bom desempenho. Os integrantes do Copom analisaram dados sobre o mercado de trabalho apurados por três Instituições: IBGE, Confederação Nacional da indústria (CNI) e Ministério do Trabalho.O dado do IBGE mostra a estabilidade na taxa de desemprego que em abril ficou em 10,8%. Nos meses de abril de 2003 e 2004 houve crescimento da taxa de desemprego. A ata registra que de janeiro a abril a taxa de desemprego em 2005 foi inferior à de 2004. A população ocupada aumentou 0,1% em relação a março, mas houve, porém, redução tanto da massa salarial quanto do rendimento médio, em termos reais.As informações da CNI mostram a continuação do ritmo de crescimento do nível de emprego da indústria, iniciado no primeiro trimestre de 2003. Já a massa salarial da indústria, após ter crescido em março, voltou a cair em abril.O Ministério do Trabalho, por sua vez, mostrou que o emprego formal (com carteira de trabalho assinada), continua em trajetória de expansão, com a criação de um total de 266.095 empregos em abril. No primeiro quadrimestre do ano, o Ministério do Trabalho registrou a criação de mais de meio milhão de novas vagas.

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