Ata do Copom mostra parcimônia na redução dos juros

O cenário econômico atual no País justificava a mudança no ritmo de redução da taxa de juros. É o que mostra a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 13% ao ano), em 0,25 ponto porcentual. A reunião marcou o fim de uma seqüência de cinco reuniões em que o Comitê havia votado por um corte de 0,50 ponto porcentual. Na ata, o Copom diz que é preciso de parcimônia "já" na redução dos juros.O documento, divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central, diz que a necessidade desta "parcimônia já" na condução da redução dos juros se torna "mais relevante" devido aos sinais de demanda aquecida e às pressões sobre a inflação de curto prazo. Os membros do Comitê também alertam que é preciso levar em conta o fato de que as decisões de política monetária passarão a ter impactos concentrados no segundo semestre de 2007 e, "progressivamente", em 2008. Segundo a ata, um conjunto de pressões de alta dos preços está atingindo a economia num momento em que a demanda doméstica se expande a taxas "robustas". "Nesse ambiente, cabe à política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos", diz a ata.O Copom avalia ainda que o cenário internacional permanece favorável, mas apresenta "novas fontes de incerteza".De acordo com ata, essa foi a opinião da maioria dos membros do Copom. Três membros do comitê, porém, votaram por uma redução de 0,50 ponto porcentual na taxa de juros, "entendendo que o balanço de riscos considerado ainda justificaria a manutenção desse ritmo". A ata pondera, no entanto, que houve consenso entre os membros do Copom de que diversos fatores respaldariam a decisão de reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual, contribuindo para "aumentar a magnitude do ajuste total a ser implementado". "Não houve consenso, entretanto, de que a redução do ritmo de flexibilização da política monetária deveria ocorrer a partir desta reunião", afirma a ata.SuperávitPela primeira vez, o Banco Central incluiu na ata do Copom a possibilidade de as contas do setor público fecharem 2007 e 2008 com um superávit primário menor do que a meta de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) por conta da implementação do Programa Piloto de Investimento (PPI).O novo PPI, incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), permite que a meta seja reduzida em até 0,50 ponto porcentual. Na ata, entretanto, os membros do Copom não citam especificamente o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado no último dia 22, às vésperas da reunião do comitê. Eles citam apenas o cumprimento da meta de 4,25% com ajuste do PPI. "Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta o cumprimento da meta de superávit primário de 4,25% do PIB em 2007 e em 2008, ajustada pela possibilidade de que esse percentual seja reduzido em até 0,5 ponto porcentual em virtude da implementação do Programa Piloto de Investimentos", afirma a ata.IndústriaO BC previu na ata da última reunião do Copom que a expansão da indústria brasileira vai acelerar em 2007 impulsionada pelo aumento de gastos do governo e pela redução dos juros já adotada até agora.O BC chama na ata o aumento de gastos de "impulsos fiscais". "Diversos fatores de estímulo, inclusive os impulsos fiscais e a flexibilização monetária já realizada, sugerem que a tendência de expansão da indústria deva apresentar aceleração em 2007", diz a ata. Para dezembro de 2006, o Copom afirma que os indicadores antecedentes da produção industrial sinalizam acomodação da expansão. "O que não deve surpreender, tendo em vista o crescimento forte observado nos meses imediatamente anteriores", ressaltam os membros do Copom na ata.PreçosA ata diz que as projeções de reajustes dos preços da gasolina e do gás de bujão para o acumulado deste ano foram alteradas para 0%. O documento, entretanto, não informa qual era a estimativa anterior. O documento divulgado pelo BC destaca, ao mesmo tempo, que os riscos para a concretização do cenário de reajuste de 0% para a gasolina "diminuíram significativamente" desde a reunião de novembro do ano passado. "Além disso, a despeito da eventual estabilidade do preço interno da gasolina, deve-se reconhecer que variações nos preços internacionais do petróleo se transmitem inexoravelmente à economia doméstica, por exemplo, por meio das cadeias produtivas como a petroquímica, e também pelo impacto que terminam produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos", destaca a ata do Copom.Para as tarifas de energia elétrica e telefonia fixa, a ata do Copom também diz que as projeções de reajustes foram alteradas para 4,6% e 3,9%, respectivamente. Como no caso da gasolina e do gás de bujão, o documento divulgado pelo BC também não informou qual era a estimativa anterior. As projeções de aumento do conjunto total dos preços administrados foram, ao mesmo tempo, reduzidas de 4,8% para 4,5%. Mesmo assim, a previsão continua acima dos 4% esperados pelo mercado financeiro.Os membros do Copom avaliaram ainda que a elevação da inflação no curto prazo está sendo liderada por pressões derivadas de altas de preços de alimentos e itens administrados, como tarifas de transportes públicos em algumas capitais. "Tendo em vista que esses efeitos ainda não se esgotaram, é provável que continuem sendo captados nos indicadores de inflação a serem divulgados nas próximas semanas", destaca a ata.Na avaliação do Copom, no entanto, dada a natureza dessas pressões, espera-se que tenham caráter transitório, apresentando arrefecimento ao longo do tempo, sem que necessariamente se observe contaminação para horizontes mais longos.Matéria alterada às 12h45 para acréscimo de informações

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.