Ata do Copom sai amanhã; mercado espera sinais sobre novos cortes de juros

O Banco Central (BC) divulga amanhã a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 0,5 ponto porcentual - de 15,25% para 14,75% ao ano. O documento deve ser divulgado por volta das 8h30. Além das explicações sobre a decisão do corte dos juros, analistas aguardam sinais de qual será o rumo dos juros a partir da próxima reunião.Há quem avalie que, com uma redução da Selic que já acumula 5 pontos porcentuais, o banco Central poderia aproveitar este momento para fazer uma "parada técnica" e avaliar os efeitos destas reduções sobre a economia no presente e no futuro. "É uma ata que tem peso importante na cabeça do mercado, até mais do que as anteriores", avalia o economista Flávio Serrano da Corretora López León.O BC, afirma o economista, já vem ressaltando nos documentos anteriores que tem dúvidas sobre o impacto dos 5 pontos porcentuais sobre a economia. "Muito provavelmente a ata deverá mostrar que o BC poderá reduzir a intensidade dos cortes da Selic. É um momento de transição e ata deverá confirmar isso", diz Serrano.O BC, segundo define o economista Alex Agostini da Austin Rating, encontra-se muito confortável para tomar qualquer uma das possíveis decisões consideradas factíveis pelo mercado financeiro. Administra, no momento, a taxa de juro nominal mais baixa da história da Selic. De acordo com o economista-chefe da Itaú Corretora, Guilherme da Nóbrega, "ao contrário do Fed, que tem dúvidas sobre o que fazer, o nosso Banco Central tem tudo muito claro". Juro real é o mais altoMas este não é o cenário comemorado pela economia real. O fato é que a taxa que realmente importa para as decisões econômicas é a taxa real. E esta continua sendo a maior do mundo, independente das metodologias usadas. No mercado, há dois cálculos para demonstrar o juro real (Selic menos a inflação). Um dos cálculos subtrai da taxa nominal, de 14,75% ao ano, inflação projetada para os próximos 12 meses. No outro, os economistas usam a inflação acumulada nos últimos 12 meses.No cálculo da UP Trend, a taxa de juros real descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses caiu para 9,9% ao ano. Já de acordo com a Austin Rating, que desconta a inflação acumulada em 12 meses, o juro real cai para 10,20%, muito elevado para os padrões mundiais. Nos dois casos o Brasil é o campeão do mundo no quesito.De acordo com a UP Trend, o País ganha até mesmo da Turquia, que recentemente elevou a taxa nominal de juros para 17,25% ao ano. Segundo Jason Vieira, economista-chefe da empresa, isso é resultado de uma taxa nominal ainda extremamente elevada e índices de inflação reduzidos no Brasil, em torno de 3,8% ao ano. Ao contrário do que ocorre com a Turquia, cuja taxa nominal está alta, em 17,25% ao ano, mas os indicadores de preços também estão altos, acima de 8%.A taxa nominal, por incluir a inflação, é um dado que não serve para avaliar seu real peso sobre a economia. Em fevereiro de 1990, por exemplo, foi registrada uma taxa nominal anual de 438.769,68%, o que dava uma taxa real de 11.445,27%.Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos Thadeu Filho, mais importante que a magnitude do corte e o fato de a Selic alcançar mínimas históricas, é o fato de que a flexibilização da política de juros está ocorrendo em um período de turbulências externas e elevação das taxas básicas norte-americanas.

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