REUTERS/Joshua Roberts
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Ata mostra divisão no BC americano sobre alta dos juros

Documento deixa espaço para uma elevação ainda este ano, mas aponta para uma maior cautela em relação à decisão

Altamiro Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2016 | 16h48

NOVA YORK - A ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de julho, divulgada nesta quarta-feira, 17, deixou as portas abertas para uma elevação de juros ainda este ano, que pode vir já na reunião de setembro, mas ao mesmo tempo sinalizou um BC cauteloso, com a maior parte dos dirigentes querendo ver mais indicadores econômicos dos Estados Unidos antes de subir as taxas. 

Havia o temor de que o documento viesse “hawkish”, ou seja, defendendo juros mais elevados, mas esse temor não se confirmou e alguns economistas consideraram a ata “dovish”, defendendo juros menores. 

Apenas dois dirigentes, entre os 17 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), defenderam aumento de juros em julho. O resto preferiu esperar mais indícios de melhora da economia. Se para boa parte do comando do Fed, o mercado de trabalho dos EUA está próximo do nível de pleno emprego, a inflação ainda distante da meta oficial é uma preocupação.

“A ata mostra uma falta de consenso sobre uma elevação dos juros em setembro”, afirma o estrategista da LPL Financial, John Canally. Ao mesmo tempo, o documento procura deixar todas as opções em aberto para o futuro da política monetária, ressalta o economista, o que deixa no radar as chances de um aumento ainda em 2016. 

O jornalista e especialista em Fed do Wall Street Journal, Jon Hilsenrath, ressalta que a ata deixa na mesa a possibilidade de um aumento já no mês que vem, mas para isso será necessário um consenso maior entre os dirigentes do BC sobre os rumos do emprego e da inflação. O texto mostra uma menor preocupação dos dirigentes com os impactos da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, ressalta Hilsenrath, ao contrário do encontro de junho, quando havia temor de turbulência no mercado financeiro.

 

Para o economista do Scotiabank, Derek Holt, a ata já está um pouco datada, por conta de indicadores importantes que saíram depois da reunião de julho, alguns bons, outros fracos, e das declarações do presidente do Fed de Nova York, William Dudley, que alertou para a possibilidade de um aumento dos juros já no mês que vem e fez crescer a expectativa de que a ata viesse “hawkish”.

Holt acredita que a presidente do banco central americano, Janet Yellen, vai usar seu discurso no final do mês, dia 26, na conferência anual do Fed em Jackson Hole, para passar uma mensagem mais clara sobre a possibilidade de alta de juros em setembro. Por isso, agora, as expectativas de Wall Street se voltam para o simpósio do Fed, que terá ainda dirigentes e banqueiros centrais da Europa e outros países.

Cautela. No momento que a ata era divulgada, o presidente da unidade de St. Louis do Fed, James Bullard, declarava ainda procurar por dados para dar apoio à única elevação de juros que ele acredita ser apropriada em algum tempo. Após um discurso em St. Louis, Bullard disse acreditar que, em meio ao aumento das especulações sobre um aperto monetário em setembro, o “momento exato da elevação nos juros não é crucial”.

 

Bullard, que vota nas reuniões de política monetária do Fed e é favorável a apenas mais um aumento de 0,25% na taxa de juros, disse que não é preciso “colocar muito peso em setembro ou até mesmo em dezembro”. “Eu gosto de me mover com base em boas notícias sobre a economia” e, com as coisas como estão, com os números fracos do crescimento no segundo trimestre, fica complicado um eventual aumento dos custos de empréstimos nos EUA, segundo o dirigente. 

Com a próxima reunião do Fed no dia 20 de setembro, Bullard disse que os dirigentes vão “ver como as notícias evoluem nas proximidades da reunião para tomar a decisão naquele ponto”. Em seu discurso, Bullard reiterou que a economia americana mudou para um estado persistente de crescimento modesto, emprego estável e inflação. “Se não observarmos grandes choques na economia, essa situação poderá ser sustentada dentro de um horizonte previsível de dois anos e meio.”/ COM DOW JONES NEWSWIRES

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