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Ata do Fed alerta para riscos sobre economia dos EUA

De acordo com o documento, estes riscos são "substanciais", o que justifica o corte do juro para 4,5% ao ano

Agências internacionais,

20 de novembro de 2007 | 17h14

A ata da última reunião do Banco Central dos Estados Unidos (Fed), realizada no final de outubro, alertou para os riscos sobre o crescimento econômico do país. De acordo com o documento divulgado nesta terça-feira, 20, estes riscos são "substanciais". Com este cenário, a instituição achou por bem reduzir o juro básico em 0,25 ponto porcentual na reunião de outubro. O objetivo, segundo o documento, é reduzir o risco de uma desaceleração econômica "severa". Com isso, a taxa passou de 4,75% para 4,5% ao ano. Veja também:A taxa de juros dos EUA  Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA   A ata do Fed destaca ainda que as grandes perdas acumuladas nos mercados desde o início da crise imobiliária nos Estados Unidos podem alimentar este risco de desaceleração da economia do país. Segundo a instituição, hoje há mais incertezas sobre a evolução da economia do país do que sobre os números inflacionários.  A ata deste mês marca ainda o início das reavaliações trimestrais sobre as perspectivas econômicas para os Estados Unidos e ainda irá abranger um cenário mais longo. Até agora, as avaliações eram semestrais. Na ata divulgada hoje, o Fed fez projeção para o PIB americano deste ano entre 2,4% e 2,5%. Para 2008, a faixa de variação fica entre 1,8% e 2,5%. Para 2009, o crescimento deve subir para um patamar entre 2,3% e 2,7%. E, em 2010, de 2,5% a 2,6%. Na expectativa da divulgação da ata do Fed, as bolsas norte-americanas operaram em alta durante quase todo o dia. Pouco antes da divulgação da nota sobre o encontro, contudo, o índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - já operava com queda. Assim como a Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet. Às 17h30, o Dow Jones cai 0,65% e a Nasdaq recua 0,75%. No Brasil, as negociações com dólar nas praças do Nordeste e Sul do País já fecharam. A cotação da moeda ficou em R$ 1,7620, em baixa de 0,28%. Nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas não houve negócios com dólar por causa do feriado municipal da Consciência Negra. A BM&F e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não funcionaram. O volume financeiro negociado com câmbio foi pequeno, diminuiu 85% ante o registrado na segunda, para cerca de US$ 528 milhões. Mercado instável O mercado financeiro ainda segue muito instável. A novela da crise do setor imobiliário de risco nos Estados Unidos (subprime) voltou a receber novos capítulos nesta terça-feira. A Freddie Mac, agência hipotecária que tem apoio do governo norte-americano, anunciou que o valor justo de seus ativos líquidos caiu US$ 8,1 bilhões no terceiro trimestre, levando-a a registrar um prejuízo de US$ 2 bilhões. Em seguida, a agência de classificação de risco Fitch Ratings colocou a classificação de risco das ações preferenciais da Freddie Mac em observação, com implicações negativas. As ações da empresa caíram 18%. Já as ações da D.R. Horton subiam 4%, após a maior construtora de imóveis residenciais dos EUA anunciar perdas inferiores à esperada pelos analistas no último trimestre. O dado do setor imobiliário trouxe um resultado melhor do que o esperado sobre a situação atual, porém evidenciou que o horizonte segue conturbado. No início da semana, o mercado já havia piorado. Grandes conglomerados de Wall Street, como o Citigroup e o Merrill Lynch, anunciaram baixas contábeis de grandes proporções em seus produtos relacionados ao setor hipotecário. As preocupações cresceram após o Goldman Sachs recomendar a venda de ações do Citigroup, projetando que o banco continuará fazendo baixas contábeis nos próximos dois trimestres.  Juros em queda Com a recuperação momentânea das bolsas, a procura por títulos do governo norte-americano caiu, o que elevou as taxas negociadas nestes papéis. A pequena liquidez (volume de negócios) também contribuiu para exacerbar a pressão de venda. "Acredito que as pessoas estão olhando as notícias sobre as agências (hipotecárias) e tentando descobrir o que significam", disse o chefe de trading do Lehman Brothers, Scott Gewirtz.  Europa Em um sinal de que a intensidade das tensões do mercado de crédito estão se tornando cada vez mais agudas, em Londres, os bancos elevaram a London interbank offered rate (Libor) de três meses para concessão de empréstimos em dólar para 5% nesta terça-feira, representando um aumento de 13 pontos-base ao longo da última semana. A diferença entre a Libor de três meses e o juro norte-americano em 4,50% se moveu para níveis não observados desde agosto, quando os bancos tornaram-se avessos a realizarem empréstimos entre eles, em razão das preocupações sobre a exposição das instituições ao mercado hipotecário subprime.

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