Ata do Fed oferece poucos sinais sobre momento de redução de estímulos

Apenas alguns membros do BC dos EUA acreditam que em breve será o momento de diminuir um pouco o ritmo de compra de títulos

Altamiro Silva Júnior, correspondente da Agência Estado,

21 de agosto de 2013 | 15h40

NOVA YORK - A ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) frustrou o mercado ao não dar pistas mais claras de quando o ritmo de compras de ativos deve começar a ser reduzido e provocou volatilidade nas bolsas após o anúncio. Mas se o documento não sinaliza que mudanças vão ocorrer em setembro, como prevê a maioria dos especialistas em Wall Street, também não há nada no texto que vá contra esta visão.

O documento fala em um final para a estratégia das compras de bônus, mas não especifica um começo para a redução do ritmo de aquisições mensais. O texto diz que elas se encerrariam em meados de 2014. Sobre um eventual começo, a avaliação é que há divergência entre os dirigentes, com "alguns poucos" achando que ainda não é o momento apropriado para a redução ao mesmo tempo que "alguns poucos" acreditam que ela pode ser iniciada já.

O que todos dentro do Fed parecem concordar é que até o final do ano as compras serão reduzidas. O próprio presidente do Fed, Ben Bernanke, já havia sinalizado essa possibilidade em um pronunciamento em maio. Até o fim de 2013, serão três reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). A próxima será nos dias 17 e 18 de setembro, seguida de um encontro em outubro e outro em dezembro.

Para o economista-chefe do Deutsche Bank, Joseph LaVorgna, uma redução no ritmo de compras em setembro continua no radar, mas para isso os números do mercado de trabalho de agosto não podem desapontar. Os dados serão divulgados pelo Departamento de Trabalho dia 6 de setembro e vão ser os mais aguardados dos últimos meses. O Deutsche projeta inicialmente a criação de 190 mil vagas no mês passado e a taxa de desemprego caindo para 7,3%, mas o economista fala que dependendo dos próximos indicadores, como os dados dos pedidos de auxílio-desemprego, essa estimativa pode ser revista.

Já o economista-chefe do RBC Capital Markets, Tom Porcelli, segue com a aposta de que o anúncio da redução das compras de ativos será feito na reunião de setembro, mas elas começarão a ser reduzidas efetivamente em outubro. O encontro de setembro do Fomc será seguido por coletiva de imprensa e reuniões assim têm concentrado anúncios mais importantes do Fed.

Além da discussão sobre redução no ritmo de compras dos ativos, surpreendeu os economistas a intenção do Fed de criar um mecanismo para enxugar a liquidez do mercado. Pelo que foi divulgado na ata, será um mecanismo overnight, ou seja, o Fed vai ofertar um papel ao mercado e recomprá-lo no dia seguinte, reduzindo a liquidez excessiva do mercado. Na ata, a maioria dos participantes disse achar o instrumento interessante.

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