Ata do Fed reduz alta do dólar, mas reação ficou limitada por BC

Cenário:

NALU FERNANDES , O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h10

As atenções do mercado financeiro na tarde de ontem concentraram-se na divulgação e na análise da ata da última reunião de política monetária do banco central norte-americano, o Federal Reserve. A reação mais discreta deu-se justamente nas cotações do dólar, que seria o ativo mais diretamente influenciado pelos sinais de que o Fed avança no sentido de implementar novas medidas de estímulo à economia dos Estados Unidos, por meio da injeção de liquidez em uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo.

Embora o recado tenha exercido pressão de baixa no dólar ante todas as demais moedas, em relação ao real, o reflexo foi amenizado pela mensagem dada na terça-feira pelo Banco Central. A autoridade monetária brasileira ofertou swaps reversos - com efeito de compra de dólares no mercado futuro - quando a cotação do mercado à vista ameaçava encostar em R$ 2,00. Ou seja, deixou claro para os agentes que não admitirá, por enquanto, uma taxa abaixo deste patamar.

Ontem, a moeda norte-americana perdeu fôlego ante o real ao final do dia, mas manteve-se em alta e fechou a sessão cotada a R$ 2,020 (+0,15%).

A Bovespa, após passar o pregão com sinal negativo, acompanhando o ambiente externo desfavorável em função da falta de novidades com relação às negociações da Grécia com os credores, reagiu em alta à perspectiva de uma nova injeção de recursos na economia dos EUA. O Ibovespa terminou com alta de 0,79%, atingindo 59.380,76 pontos.

Segundo o documento do Fed, "muitos membros julgaram que uma acomodação monetária adicional provavelmente será justificável muito em breve, a não ser que as informações a ser divulgadas apontem para um fortalecimento substancial e sustentável no ritmo da recuperação econômica". Os dirigentes do Fed também discutiram outras ferramentas que poderiam ser usadas para estimular a economia, entre elas a extensão do período de tempo no qual as taxas de juro de curto prazo deverão permanecer próximas de zero.

As taxas locais de juros futuros também subiram após a ata do Fed, coisa que nem a aceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) de agosto, de 0,33% em julho para 0,39%, tinha conseguido. Ainda assim, o aumento foi mais perceptível nos prazos longos, mostrando que as apostas no corte de 0,5 ponto porcentual do juro básico, a Selic, para 7,5% ao ano, na próxima semana seguem firmes. A taxa do contrato de juro para janeiro de 2021 subiu para 9,99%, de 9,91%.

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