Ata mostra Fed dividido sobre elevação do juro a partir de junho

Vários participantes do banco central dos Estados Unidos consideram junho o prazo ideal, enquanto outros pedem atenção à queda do petróleo e à valorização do dólar

O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2015 | 15h32

Os dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, estavam divididos, na reunião de política monetária de março sobre se a instituição estaria pronta para começar a elevar as taxas de juro em junho. De acordo com a ata divulgada nesta quarta-feira, 8, da reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc) realizada em 17 e 18 de março, vários participantes disseram que junho seria o momento correto para começar a apertar a política monetária, enquanto outros disseram que a queda dos preços do petróleo e o vigor do dólar poderão pressionar a inflação para baixo, o que justificaria manter as taxas de juro próximas de zero por mais tempo.

No comunicado divulgado ao fim da reunião, os dirigentes do Fed eliminaram a afirmação de que a instituição será "paciente" antes de passar a elevar as taxas de juro. A ata diz que "vários participantes julgaram que os indicadores e a perspectiva da economia provavelmente justificariam começar a normalização da política monetária na reunião de junho. Contudo, outros anteciparam que os efeitos do declínio dos preços da energia e a apreciação do dólar continuarão a pesar sobre a inflação no curto prazo, sugerindo que as condições provavelmente as condições não serão apropriadas para começar a elevar as taxas de juro até mais tarde neste ano, e um par de participantes sugeriram que a perspectiva da economia provavelmente não justificará a elevação até 2016".

Depois da reunião do Fed, vários indicadores sugeriram que a economia dos EUA entrou em 2015 em desaceleração, especialmente os dados do nível de emprego em março, divulgados na sexta-feira passada. Em entrevista concedida hoje, o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, disse que "os dados surpreenderam negativamente. É razoável pensar que os obstáculos estão mais altos" para o Fed passar a elevar as taxas de juro em junho".

A ata indica que os participantes da reunião manifestaram preocupações quanto à perspectiva da economia antes mesmo da divulgação da última leva de indicadores. O documento traz várias referências ao vigor do dólar. "Diversos participantes notaram que uma apreciação adicional do dólar durante o período entre reuniões provavelmente prejudicaria as exportações e o crescimento econômico dos EUA por algum tempo. Uns poucos participantes sugeriram que medidas de acomodação da política monetária por parte de vários bancos centrais estrangeiros poderiam levar a uma apreciação adicional do dólar, mas um deles observou que tais medidas também fortaleceram a perspectiva do crescimento no exterior, o que favoreceria as exportações dos EUA."

Na reunião de março, o Fed também adotou uma medida operacional que deverá fortalecer sua mão quando ele começar a elevar as taxas de juro. Os participantes decidiram que poderão suspender temporariamente o limite máximo das operações de "reverse repos", ou acordos de recompra reversa de títulos, que o Fed planeja usar quando estiver elevando as taxas de juro. Com esse instrumento, o Fed paga juros em troca de oferecer crédito no overnight. O teto para as operações quase diárias de "reverse repos" está atualmente em US$ 300 bilhões.

A íntegra em inglês da ata da reunião do Fed já está disponível online. Fonte: Dow Jones Newswires.

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