Ata revela que juro pode subir mais e de forma mais conservadora

Divulgada hoje pelo Banco Central, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu elevar a Selic, a taxa básica de juros da economia, de 17,75% para 18,25% ao ano, veio ainda mais conservadora do que o mercado financeiro esperava e reforçou a convicção de continuidade do aperto monetário por parte do Banco Central.A ata trouxe vários pontos de conservadorismo explícito, mas o que mais assustou os investidores foi a sinalização dada pelo BC de que haverá "etapas adicionais" no processo de alta dos juros e que, finalizada esta etapa, os juros seguirão inalterados por período "suficientemente longo". Ou seja, o juro sobe mais e demora para cair.A ata destaca ainda que o Comitê chegou a considerar a hipótese de alta de 0,75 ponto porcentual, embora tenha concluído não ser necessário. Porém, o documento traz uma advertência: caso a inflação resista aos juros altos ou se exacerbarem outros fatores de risco inflacionário, o BC poderá "adequar às circunstâncias o ritmo e a magnitude" do processo de alta dos juros. Trocando em miúdos, na hipótese de a inflação não ceder, as próximas altas dos juros não se limitarão a 0,50 ponto porcentual. Controle da inflaçãoA política monetária definida pelo BC tem por objetivo controlar a inflação. Neste ano, a meta fixada é de 5,1%. Com juros mais altos, o BC pretende conter o consumo, o que tende a pressionar para baixo o preço dos produtos. A ata destaca que as expectativas do mercado para a inflação apresentaram melhora desde a reunião de novembro do Copom (de 5,78% para 5,70% em 14 janeiro), mas deterioram-se "marginalmente" em relação à taxa mais baixa de 5,67% alcançada na semana de 7 de janeiro. O fato é que as projeções de inflação do Copom para o IPCA em 2005 continuam acima da meta de 5,1%.A ata divulgada hoje chamou a atenção para o fato de as expectativas de inflação estariam caindo de forma "modesta" diante de uma combinação de fatores que deveriam melhorar as projeções inflacionárias, como o esperado desaquecimento da economia, a alta dos juros e a queda do dólar. Além disso, lembrou que o petróleo continua com preço oscilante e não deve abrir espaço a uma queda do preço dos combustíveis no mercado doméstico.

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