Atacado por UE, Mandelson é defendido por Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu nesta quarta-feira, 31, os ataques de setores europeus ao principal negociador da União Européia na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), o comissário Peter Mandelson. Embora tenha afirmado inicialmente que não pretendia se "meter nessa briga" interna do bloco europeu, Amorim não resistiu e saiu em defesa de Mandelson a apenas um dia de receber, no Itamaraty, a visita da ministra de Comércio da França, Christine Lagarde, uma das maiores críticas das posições apresentadas na Rodada pelo comissário."Eu acredito que o Mandelson é um político experiente e que ele sabe o que faz", declarou o chanceler, que havia conversado reservadamente com o comissário europeu na última segunda-feira, em Genebra, no esforço em favor de avanços na Rodada. Ambos haviam participado, horas antes, da reunião do G-20, o grupo dos países em desenvolvimento que atua em conjunto nas discussões do capítulo agrícola e que é liderado pelo Brasil e a Índia.A tentativa de "corrosão" da credibilidade interna de Mandelson por autoridades da França, da Irlanda, da Grécia e da Polônia ressurgiu desde que, no último sábado, os ministros de 22 atores relevantes da Rodada Doha decidiram, em Davos, a retomada das negociações, que foram suspensas em julho de 2006. Na mesma segunda-feira, o governo francês havia declarado que Mandelson extrapolara seu mandato de negociador.Desde 2001, quando a Rodada foi lançada, verifica-se o ataque desses mesmos países - todos altamente beneficiados pela política de subsídios e de proteção ao setor agropecuário - ao principal negociador europeu em cada momento de deslanche das negociações. O cenário atual não daria margem para atitudes diferentes. Em Genebra, Mandelson reforçou a disposição da União Européia de elevar corte nas tarifas de importação de produtos agropecuários, se os Estados Unidos concordarem com uma redução mais profunda no teto para os subsídios a seus agricultores.OtimismoNesta quarta, o ministro Amorim afirmou que seu otimismo em relação à conclusão da Rodada Doha aumentou, em função das conversas mantidas em Davos e em Genebra desde o último sábado. O teor dessas conversas, entretanto, continua sob sigilo. "O mundo inteiro, que estava em Davos, tem consciência que (a Rodada) está avançando. Não é apenas retórico", insistiu."A própria decisão do governo americano de enviar o pedido de prorrogação do Trade Promotion Authority (TPA) ao seu Congresso é um sinal de que as coisas estão se movendo. Os americanos sabem que têm de negociar", completou, referindo-se ao mandato do Legislativo para que o Executivo possa fechar acordos comerciais e submetê-los à aprovação do Parlamento, sem o risco de ver os seus termos modificados. Esse pedido foi remetido pela Casa Branca ao Congresso, junto com o projeto de Lei Agrícola (Farm Bill) para o período de 2007-2012.Amorim assegurou que os recados do Brasil e do G-20 foram transmitidos com clareza para Mandelson e a embaixadora Susan Schwab, representante dos Estados Unidos para o Comércio nos encontros de Davos e de Genebra. Para os Estados Unidos, o principal deles foi o de que, sem a prorrogação do TPA, não haverá acordo final.

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