Gabriela Biló/Estadão
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"be water"

Coluna Leandro Miranda: como se moldar à nova economia após a covid-19?

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Ataque à paradeira com o FGTS

A medida é uma boa dose de decepção porque o governo mostrou improvisação e falta de avaliação prévia sobre o que foi inicialmente pretendido

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 19h00

E a montanha vai parir algo mais do que um rato. Mas a improvisação diz mais sobre a maneira como são tomadas (e anunciadas) certas decisões no governo do que sobre a disposição de virar a paradeira.

A primeira informação sobre a disposição do governo de liberar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para reforço do orçamento do consumidor sugeriu o despejo de R$ 42 bilhões no mercado, volume que poderia ajudar a reativar o consumo e, a partir daí, empurrar para um adicional de PIB em torno de 0,3%.

Mas aí vieram as pressões dos empresários da construção civil, que querem o uso quase exclusivo do FGTS para amortização da compra de moradia, portanto, para azeitar seu negócio. Assim, o governo aceitou com surpreendente facilidade certa desidratação da proposta original. Com isso, os saques ficarão limitados a R$ 500 por conta do FGTS e, ainda assim, em volume proporcional ao saldo em conta.

Como 81% dos 260 milhões de contas não têm saldo superior a esses R$ 500, para essa faixa a retirada de recursos acabará sendo inferior a uma diária de faxineira. Assim, o bolão de R$ 42 bilhões originais não deverá passar de R$ 28 bilhões, volume insuficiente para desencadear uma onda de otimismo no mercado de consumo.

A opção não foi combater a seca no canavial com irrigação de pivô, mas com aspersões de água de torneira. Sempre haverá quem argumente que pouco é sempre melhor do que nada ou, então, que ao paliativo é preciso acrescentar o principal. Ou, então, que o objetivo é ganhar tempo até que as reformas comecem a produzir resultados.

De todo modo, o que deveria chegar como importante decisão de reativação da economia leva boa dose de decepção, não propriamente porque o governo cedeu ao lobby das construtoras, mas porque mostrou improvisação e falta de avaliação prévia sobre o inicialmente pretendido.

Ninguém espera por milagres. Mas o previamente anunciado inflou as expectativas. Na hora em que o trabalhador meter no bolso a parte que lhe couber no pacotinho, o sentimento tenderá a ser de certo desapontamento.

A área econômica do governo passa, assim, três sinais: (1) que vem sendo surpreendida pela falta de reação do setor produtivo; (2) que não tem plano claro para enfrentar a paradeira, não propriamente por uma política contracíclica, que não é do DNA desta equipe, mas com providências que, de alguma maneira, possam servir de motor de arranque da economia; e (3) que não sabe como evitar desgastes políticos provenientes de um plano mal divulgado.

Efeito de mais longa duração poderá acontecer a partir da semana que vem, quando o Copom começará a reduzir os juros básicos (Selic), parados nos 6,5% ao ano desde abril de 2018.

A pesquisa Focus mostra que a economia espera a queda dos juros para 5,5% ao ano, nas próximas quatro reuniões do Copom agendadas para este resto de 2019. Juros mais baixos põem mais dinheiro na roda. Nesse sentido, os recursos do FGTS podem contribuir para que o segmento de baixa renda da população resgate parte de suas dívidas. Seria o primeiro passo para enfrentar a inadimplência e abrir caminho para que o crédito possa atuar.

CONFIRA

» O deslize do dólar

Desde o pico dos R$ 4,11 atingido em 20 de maio, as cotações do dólar caíram 8,6%. Em julho, o recuo é de 2,37%; e desde o início do ano, de 2,86%. É trajetória que mostra menor procura por moeda estrangeira e menor disposição para montar defesas contra crises de confiança. Apesar do mau desempenho do lado fiscal, as contas externas continuam em excelente condição. O saldo comercial deverá fechar o ano em torno dos US$ 50 bilhões e a entrada de investimento estrangeiro, nos US$ 85 bilhões.

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