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Ataque de Cristina à YPF pode virar reestatização

Governo argentino iniciou a ofensiva contra as petroleiras por causa das elevadas importações de combustíveis, de quase US$ 10 bilhões em 2011

MARINA GUIMARÃES , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2012 | 03h08

O mercado tem poucas esperanças de um final feliz para a ofensiva de Cristina Kirchner contra a YPF desde meados de janeiro. A expectativa é que o governo termine decretando a reestatização da companhia, como já fez com outras empresas: Águas Argentinas, Correio, Aerolíneas Argentinas, Fundos de Aposentadorias e Pensões, Papel Prensa e várias outras de menor porte.

Em todos os processos de reestatização, houve um período prévio de tensão e ofensivas - exceto no caso dos fundos de pensão, que pegou os mercados de surpresa. A Casa Rosada começou o ataque às petrolíferas por causa das elevadas importações de combustíveis no ano passado, de quase US$ 10 bilhões. No cenário de crise internacional com repercussões nos países emergentes e falta de divisas no país, a presidente quer reverter essa balança energética para manter o superávit entre US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões e garantir os dólares necessários para a economia.

A primeira medida contra a petrolífera foi a denúncia ao organismo antitruste, em janeiro, por "abuso de posição dominante" por causa do preço do diesel. Na causa, embora o alvo principal da estratégia do governo seja a YPF, outras quatro companhias foram denunciadas, entre elas a Petrobrás Argentina.

Logo, começaram os boatos de estatização da YPF e os ativos da empresa iniciaram uma trajetória de queda. O governo proibiu a petrolífera de distribuir dividendos e exigiu que os recursos sejam reinvestidos no país.

Hoje haverá assembleia de diretoria da YPF e a pressão do governo deverá ser o principal tema. Na última reunião, o representante do Estado, Roberto Baratta, secretário de Gestão do Ministério de Planejamento, levou a proposta de formar um fundo para exploração e desenvolvimento com os lucros não distribuídos de 2011 (cerca de US$ 1,3 bilhão) e de 2010 (cerca de US$ 229,8 milhões). A companhia, segundo fonte do setor, estaria disposta a atender ao pedido se o governo interromper a ofensiva contra a empresa.

Porém, fonte ouvida pela Agência Estado disse que os últimos sinais do governo são no sentido de avançar na reestatização parcial da companhia. Entre as hipóteses em discussão no mercado está uma provável lei que declare a petrolífera como "de interesse público".

Alternativa. Também se comenta a possibilidade de uma intervenção mais forte do governo na YPF, mas por meio de medida mais moderada do que a estatização. Seria algum tipo de lei que permita ao Estado aumentar a participação acionária mediante investimentos. O governo realizaria uma oferta pelas ações da Repsol YPF, que possui 58,23% de participação, e manteria os sócios minoritários argentinos, o Grupo Petersen (família Eskenazi), que tem 25,46%. Ainda como opção, o governo poderia declarar de interesse público somente os hidrocarbonetos, a exemplo do que ocorreu na Bolívia.

Até o momento, o governo não desmentiu nem confirmou nenhuma das medidas que vêm sendo comentadas pelos mercados. As informações que circulam na imprensa local e estrangeira se devem à série de consultas a advogados, analistas, acadêmicos e especialistas em energia para elaborar os documentos de justificativa legal para avançar no assunto.

O estatuto da YPF prevê que qualquer oferta superior a 14,9% da companhia deverá ser ampliada a 100% das ações da empresa. Até 27 de janeiro, antes do início da ofensiva oficial, a empresa valia US$ 15,685 bilhões, conforme sua capitalização na bolsa. Desde então, o valor recuou 30%.

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