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'Até 2012, teremos que tirar da própria pele', diz Lula sobre gás

Investimentos para exploração na Bolívia só surtirão efeito daqui a quatro anos, diz presidente à TV argentina

BBC,

26 de fevereiro de 2008 | 03h05

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite de segunda-feira, 25, em entrevista a um programa de TV argentino, que os investimentos para exploração de gás na Bolívia só vão surtir efeito daqui a quatro anos, em 2012.   Veja também:   O mercado do gás no Brasil  Lula, Morales e Cristina se reúnem para negociar impasse do gás Lula defende solução energética conjunta para a região  Lula quer encerrar disputa do gás "A Bolívia tem muito gás, mas esse gás precisa ser explorado. E para ser explorado tem que ter investimentos, e o resultado destes investimentos não aparece no dia seguinte", afirmou. "Até 2012, vamos ter que tirar quase que da própria pele para atender as necessidades do mercado argentino, do mercado brasileiro." Segundo Lula, a Bolívia deverá produzir em 2012 o equivalente a 73 milhões de metros cúbicos de gás. Hoje, estima-se que essa produção esteja em torno de 45 milhões de metros cúbicos de gás - insuficientes para atender à demanda interna da Bolívia e os mercados do Brasil e da Argentina. As declarações do presidente foram feitas durante entrevista ao jornalista argentino Joaquín Morales Solá em seu programa de televisão Desde el Llano, da emissora TN (Todo Noticias). A entrevista foi gravada no sábado, em Buenos Aires, pouco antes da reunião entre Lula e os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Bolívia, Evo Morales, na qual o Brasil rejeitou a possibilidade de atender o pedido de abrir mão de parte do gás que demanda para atender o déficit argentino. "Problema estrutural" Lula voltou a dizer que o problema energético da região não é conjuntural, mas estrutural. "A comissão formada por Argentina e Brasil está discutindo mudanças estruturais do nosso modelo energético. Ou seja, qual é o nosso potencial hidrelétrico? Qual o nosso potencial de termoelétrica? Ela vai ser movida a que? A gás? Mas se nós não temos gás, vai ser a óleo diesel que polui o planeta, e que é muito caro? Todos estes são desafios que temos para nós nos próximos quatro anos", disse. Lula voltou a afirmar que a expansão econômica do Brasil e da Argentina tem levado a maior demanda de energia, o que não foi previsto no passado. Quando questionado se o Brasil pode ajudar a Argentina, ele respondeu que essa não é uma crise energética da Argentina, mas do mundo inteiro. "E obviamente que (a crise) pega a Argentina, pega o Brasil, pega outros países (...). Na medida em que as duas economias começam a creser, a gente percebe que é preciso produzir cada vez mais energia", disse. Lula contou que disse a Cristina Kirchner, na reunião que tiveram na sexta-feira, um dia antes do encontro com Morales, que é preciso fazer um "levantamento real" da situação energética e seu potencial de produção na América do Sul. "São milhares e milhares de megawatts que poderemos produzir, se trabalharmos de acordo. O Brasil tem disposição de financiar parte deste desenvolvimento porque interessa ao Brasil, interessa à Argentina", afirmou. Cuba Na entrevista, Lula disse que os países do Mercosul devem ajudar Cuba para que o país "não volte a ser um cassino".  Mas o presidente afirmou que não deve haver ingerência nas decisões do futuro do país, já que estas cabem aos cubanos. "Acho que Fidel tomou a decisão no momento certo (...). Raúl é um homem preparado. E todos nós devemos contribuir para que Cuba não volte a ser um cassino", disse. Lula defendeu a entrada da Venezuela no Mercosul. "Eu trabalho para isso, para que a Venezuela entre no Mercosul", disse. Ele afirmou ter dito ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que aproveite o petróleo para "industrializar" a Venezuela, para que produza alimentos no país. A Venezuela importa quase tudo o que consome e hoje vive uma crise de desabastecimento.

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