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Até a próxima crise

A reunião ministerial do G-20 marcada para hoje, em Paris, é o primeiro encontro de alto nível das 20 maiores economias do mundo desde a cúpula de Seul, realizada em novembro de 2010, na Coreia do Sul. É só o primeiro passo para preparar o G-20 de Cannes, marcado para novembro deste ano.

Cenário: Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

Desde já, porém, uma tendência parece se confirmar. Em Seul, ministros, analistas econômicos e jornalistas deixaram a Coreia do Sul com a impressão de que começava a arrefecer a mobilização internacional pela reforma do sistema financeiro, que visava a renovar o acordo de Bretton Woods, criado em 1944. Questões centrais, como a "guerra cambial", acabaram revelando toda a dificuldade do G-20 em harmonizar minimamente a economia mundial.

Três meses depois, a bandeira do "reequilíbrio macroeconômico" volta a ser empunhada pela França. Mas, até aqui, nada indica que a reunião de Paris vá obter sucesso em sua empreitada. Isso porque os interesses dos EUA, da União Europeia e do Japão são cada vez mais divergentes em relação aos dos grandes emergentes, liderados por China, Índia, Brasil e Rússia.

Em abril de 2009, quando foi realizado o mais bem-sucedido encontro do G-20, em Londres, a economia global era açoitada pela crise e pelo risco de insolvência dos sistemas bancários americano, britânico, irlandês e alemão. Em um esforço de cooperação inédito, chefes de Estado e de governo concordaram em reforçar o caixa do Fundo Monetário Internacional (FMI), elevando seus recursos a US$ 1 trilhão. A iniciativa foi interpretada pelos mercados financeiros como uma demonstração de coesão internacional. A crise, com a medida, arrefeceu.

Vinte meses depois, grande parte do mundo sai da recessão. Todas as maiores economias do mundo já retomam o crescimento. Com o distanciamento da crise, volta a valer a lógica do "cada um por si". Decorre daí a dificuldade de entendimento no G-20 ministerial de Paris. Reforma do sistema monetário, controle do fluxo de capitais, limitação de reservas internacionais... tudo parece opor desenvolvidos a emergentes.

Alarmado, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, não hesitou em evocar o pior ontem no Palácio do Eliseu. "É mais difícil encontrar consenso em um período de retomada. A tentação de dar prioridade aos interesses nacionais é grande", ponderou, antes de advertir: "Isso seria a morte do G-20".

Pelo menos até a próxima crise.

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