Até casamento em suaves prestações

Estratégia é marcar a data com antecedência para aumentar o número de parcelas até o dia da festa

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

Desde o início do mês, a confeiteira Roberta Gauss está correndo para entregar as encomendas de bolos de casamento. "Dezembro é uma loucura, todo mundo resolve casar e não passa um dia sem que tenhamos uma cerimônia para atender", diz a chef da Cakery, empresa especializada em bolos decorados. Com produtos que custam entre R$ 50 e R$ 5 mil, ela diz que não desvaloriza o próprio trabalho. "Mas facilito na hora de pagar", explica.Essa tem sido a estratégia de muitas empresas que trabalham no ramo de casamentos. Em geral, quanto antes os noivos fizerem a encomenda, mais prazo têm para pagar. "Eu parcelo desde o dia da encomenda até o dia da festa, independentemente de quanto tempo for", diz a proprietária da Emília Bem-Casados, Mara Borges. E se a festa for em dezembro, é bom encomendar bem antes. "Esperava um aumento de 20% no pedido de bem-casados em relação a outros meses, mas foi de 50%."Segundo dados do IBGE, dezembro é o mês com maior número de casamentos no Brasil. No ano passado foram 115.046 registros em dezembro, enquanto em maio - tradicional mês das noivas - foram 78.042."Desde o ano passado já estou com dezembro deste ano lotado", diz Mara Linhares, que dirige o buffet Trivento. A corrida pelos casamentos em dezembro ocorre por vários motivos. O principal é o 13º salário. "Muita gente aproveita esse dinheiro extra para realizar a festa", diz o estilista Rogério Rodrigues, da Maison Rodrigues, especializado em vestidos de noivas. "Outras razões são as férias e o clima. Afinal, que noiva quer entrar no salão no inverno, toda coberta? Elas querem mostrar quanto estão lindas", explica. Como o costume é começar a organizar o casamento um ano antes, a maioria das empresas negocia um ano de prazo. "Apesar de não ser o usual, alguns serviços aceitam pagamento pós-festa" diz o organizador da feira Expo Noivas, José Luis de Carvalho César."O dinheiro extra e a explosão de crédito contribuíram para que dezembro se tornasse o mês com maior concentração de casamentos no ano", diz o professor da Fiap e consultor de finanças pessoais Marcos Crivelaro. O volume de crédito disponível no mercado é cerca de 30% maior do que no mesmo período do ano passado. "Mas o consumidor não pode se empolgar com o parcelamento e criar uma dívida gigante de várias parcelas pequenas somadas." Diferentemente de alguns anos atrás, hoje a maioria dos noivos não deixa a festa inteira por conta dos pais. "Aqui a maioria são os próprios noivos que pagam", diz Roberta, da Cakery. "Por isso, é importante discutir a forma de pagamento. Além do bolo, eles vão ter de pagar convites, vestido, salão."Crivelaro sugere que alguns itens, como roupas e enxovais, sejam pagos à vista. "O casal tem de pesquisar qual o melhor preço à vista, e, a partir daí, negociar o que vai parcelar ou não."CERIMÔNIA DE GRAÇAA noiva Silvia dos Santos pensava em casar, mas tinha outra prioridade. "Quero uma casa própria. Estamos guardando dinheiro para dar entrada e comprando eletrodomésticos aos poucos." Organizada, ela evita acumular dívidas. Esse mês, conseguiu marcar a festa: o casamento acontece amanhã, na Super Casas Bahia. As Casas Bahia estão promovendo casamentos coletivos para 800 casais em dezembro, e banca as despesas de cartório. "Vou usar um vestido de réveillon e sapatos novos. O importante é estar feliz", diz Silvia, que está com o noivo, Vinicius Machado, há 7 anos. Para a diretora de eventos das Casas Bahia, Elisa Santa Rita fazer a festa é caro, mas benéfico para a empresa. "Ninguém esquece o dia do casamento."

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