Até na indústria há sinais de um semestre melhor

A indústria de transformação, setor mais afetado pela crise, com queda de 2,5% no segundo trimestre, já dá sinais de recuperação, segundo indicadores divulgados nos últimos dias pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Os números do primeiro trimestre foram desanimadores, mas isso é passado", disse o presidente da CNI, Robson Andrade.

O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h07

A Sondagem Industrial da CNI, feita entre 3 e 14 de setembro com 1.983 empresas de todo o País, mostrou que o humor dos industriais melhorou, tanto em relação a agosto quanto a setembro do ano passado. A recuperação já é observada na produção, na demanda e, mais lentamente, até na contratação de mão de obra, embora os estoques ainda sejam altos e persista a capacidade ociosa.

Outro indicador, o Índice de Confiança do Empresário Industrial, de setembro, chegou a 57,4 pontos (+2,9 pontos em relação a agosto) e foi melhor que o de setembro de 2011 (56,4 pontos). Predominou o otimismo no que diz respeito às condições atuais e aos próximos meses.

A prévia do Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV também indicou avanço, de 1,1%, entre agosto e setembro, o mais alto desde junho de 2011. Como enfatizou o coordenador das sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Aloisio Campelo, "é uma boa notícia porque a retomada está demorando a acontecer".

O ICI é formado pelo Índice de Situação Atual (ISA), em recuperação após a forte queda de julho, e pelo Índice de Expectativas (IE), também o maior desde junho de 2011. Ele antecipa uma aceleração da atividade no quarto trimestre. O IE atingiu 104,7 pontos, acima da média histórica dos últimos cinco anos (103,7 pontos).

Consultorias ligadas a grandes bancos destacaram que a importância das pesquisas da CNI e da FGV está numa melhora da confiança, maior do que a da situação real.

Além das pesquisas, dados concretos apontam para a retomada, como na indústria de papel, celulose e produtos de papel, que cresceu 2,7% entre junho e julho, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em agosto, as vendas de papel ondulado cresceram 6,25% em relação ao mesmo mês de 2011. E o fluxo de veículos nas estradas cresceu 5,4%, segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

A recuperação econômica tende a ser decisiva para elevar o lucro das empresas, com repercussão favorável nas contas fiscais de 2013. Por isso o governo não deve se precipitar ante a queda da receita.

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