FOTO: CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO
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'Até o fim de semana, a situação irá se normalizar'

Presidente da Raízen, segunda maior distribuidora do País, diz que empresas agiram para identificar os pontos frágeis de abastecimento pelo Brasil

Entrevista com

Luís Henrique Guimarães, presidente da Raízen

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2018 | 20h11

Segunda maior distribuidora de combustíveis do País, a Raízen (joint venture entre Cosan e Shell) acredita que o abastecimento vai ser normalizado nos próximos dias, após dez dias de greve dos caminhoneiros. Luís Henrique Guimarães, presidente da companhia, ainda não vê com preocupação a paralisação dos petroleiros, deflagrada na última terça-feira, 29. A seguir os principais trechos da entrevista.

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Como as distribuidoras reagiram à crise?

A Raízen se mobilizou rapidamente, acionando seu plano de gestão de crise. Todos os setores aqui da empresa começaram a acompanhar em tempo real os pontos frágeis para identificar os problemas. Intensificamos as conversas com autoridades e começamos a nos preparar para a entrega do combustível quando as estradas e terminais fossem liberados. Alguns Estados, como Ceará e Pará, tiveram reação muito rápida, por exemplo. Outros, como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Sul do País demoraram mais.

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Quanto tempo ainda demora para o abastecimento voltar ao normal? 

Depende da região. As pessoas não têm ideia do impacto que (a greve) tem para a cadeia. Retomar tudo isso demora. Acredito que, agora, com o feriado prolongado, o fluxo seja mais rápido. Até o fim de semana, a situação irá se normalizar. Há regiões que foram mais afetadas, como a de Betim (MG), por exemplo. Nosso trabalho agora é reorganizar estoques. Os consumidores nem sempre se dão conta porque o produto está sempre lá nos postos. Por trás disso tudo tem um trabalho enorme. Temos câmeras em todos os caminhões monitorando – quando pegam infrações que eventualmente são cometidas – informam as transportadoras.

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O sr. vê a greve dos petroleiros com preocupação?

Não. O que foi das refinarias para as distribuidoras, em sua grande maioria, é via duto. Segundo ponto é que a Petrobrás tem enorme competência para conduzir essa crise. Minha percepção é que a Petrobrás vai conduzir bem este assunto. Não é uma questão de pânico. A Raízen vai fazer sua parte. 

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Como a Shell recebeu a notícia da crise?

Não muda a percepção deles sobre o Brasil. A Shell está há mais de 100 anos no País e movimentos como esses acontecem, assim como em outros mercados. Estão acompanhando o desenrolar disso e acreditam na capacidade da companhia de conduzir bem a questão.

Como foram as conversas das distribuidoras em Brasília?

Todas tentaram administrar a situação: saber quais eram os locais mais frágeis. Houve uma conjunção de energia ali para resolver este problema, que tem propiciado o que estamos vendo hoje e está melhorando em relação aos últimos dias.

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Quais foram as perdas da Raízen?

O importante destacar é que a Raízen tem cerca de 6.300 revendedores que defendem a nossa marca (Shell) em todo País. As perdas foram representativas, mas não temos a magnitude (o faturamento da Raizen Distribuidora é de cerca de R$ 8 bilhões por mês). 

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Como a discussão tributária deve ser conduzida?

Mercados mais desenvolvidos se estruturaram para quando os preços das commodities estão baixos e altos, com câmbio ou não valorizado. Eles criaram impostos para ter um colchão para quando o petróleo subir e poder amortecer o impacto com a queda de impostos. Vários países, ao longo da história, souberam poupar e tiveram liderança para poderem conduzir questões como essa. Quando o petróleo caiu e o cambio estava subvalorizado, é uma situação. Mas quando sobe, tem de ter uma reserva para poder queimar. A discussão futura tem de ser de criar mecanismos para que se possa poupar para poder gastar nos momentos como estamos vivendo agora. Tivemos várias crises de petróleo e saber reagir nestes momentos é fundamental.

Quais outros negócios da Raízen foram afetados?

A parte agrícola, tivemos de reduzir ou parar. Das 24 usinas de cana, no pico da crise, só metade estava funcionando.

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