Até o fim do ano, mais nove poços serão perfurados na região

Investimento estimado pelo governo mineiro é de R$ 180 milhões; novos investimentos da Petrobrás são esperados

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

Expectativa presente há décadas na região, a fronteira de exploração do gás na Bacia do São Francisco, em Minas Gerais, já começa a se tornar uma realidade. Até o fim deste ano, nove outros poços deverão ter sido perfurados em busca de novas reservas, com investimentos estimados pelo governo mineiro em pelo menos R$ 180 milhões.

Depois do consórcio Cobasf, novos investimentos foram anunciados recentemente pela Cisco Oil & Gás, do Grupo UBX, e pela Petra Energia na porção mineira da bacia do "Velho Chico". A Petra possui o maior número de blocos - 24 no total - e para 2011 prevê um programa de investimentos de R$ 160 milhões somente na Bacia do São Francisco. A Shell Brasil também adquiriu áreas de exploração e já realiza pesquisas sísmicas na região.

No fim de abril, a Petrobrás confirmou ao governo do Estado a descoberta de outro depósito de gás de grande potencial em Brasilândia de Minas. A estatal - que arrematou quatro blocos na 7.ª rodada de licitações, em 2005 - já trabalha em dois poços na região, em Brasilândia de Minas e João Pinheiro.

O governo tem a expectativa de que as prospecções gerem novos investimentos da Petrobrás. A empresa incluiu no seu plano de negócios a construção de duas usinas termelétricas, orçadas em US$ 1,25 bilhão, quando se confirmar volumetria necessária do gás. Até o fim de 2011, a estatal deverá investir pelo menos R$ 40 milhões na perfuração dos dois poços.

O consórcio Cobasf possui um acordo com a Petrobrás e com a Petra de troca de dados.

"O fato de as empresas continuarem investindo mostra que a viabilidade dos empreendimentos está se tornando cada vez mais real", observou o subsecretário estadual de Política Mineral e Energética, Paulo Sérgio Machado Ribeiro.

Fraturamento. O reservatório identificado pela Cobasf em Morada Nova de Minas é do modelo não convencional, tecnicamente conhecido por "tight gas", que é o gás natural contido em rocha, com baixa porosidade, o que obrigará à exploração por fraturamento.

Ao contrário do chamado gás convencional, cujo reservatório é facilmente identificado, o tight gas se caracteriza por vários reservatórios ligados, "como se fosse uma colmeia de abelha", afirmou Ricardo Vinhas, da Orteng. "Por ser um tight gas, cuja produção é por fraturamento, a tendência que esse subsolo se repita nos outros blocos é muito boa.".

Para Ribeiro, o Brasil já conta com tecnologia disponível para este tipo de exploração. "É uma tecnologia já dominada de perfuração. A Petrobrás perfura na plataforma marítima a mais de cinco, seis mil metros de profundidade. É uma tecnologia já dominada."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.