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Até onde vai esse dólar?

Parece temerário contar com importante deterioração das contas externas do Brasil, mas o governo precisa agir

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 19h00

Desde agosto, as cotações do dólar vêm subindo no câmbio interno (veja o gráfico) e a balança comercial dá sinais de enfraquecimento. Para esvaziar a procura mais forte de moeda estrangeira dos últimos dias, o Banco Central (BC) anunciou para esta quinta-feira três leilões de câmbio e promete a intervenção que vier a ser necessária para evitar a disparada que prejudique a economia.

Há questões no ar, nem sempre com respostas satisfatórias. A primeira procura identificar a origem das pressões por compra de moeda estrangeira. Há pelo menos cinco fontes diferentes. Vamos a elas.

A frustração com os leilões de áreas do pré-sal realizadas neste mês reduziram a expectativa de entrada de dólares, como apontou terça-feira o presidente do BC, Roberto Campos Neto. O governo esperava arrecadar pelo menos R$ 106,5 bilhões e terá apenas R$ 69,9 bilhões dessa operação. A crise da Argentina e o baixo desempenho da economia mundial derrubaram as exportações do Brasil, a mais importante fonte de entrada de moeda forte. A queda foi, neste ano até a terceira semana de novembro, de 9,6%. As importações vêm caindo bem menos, 1,5% até o último dia 9. Assim, o saldo comercial (exportações menos importações), embora ainda positivo em US$ 34,5 bilhões, caiu 33,8% no mesmo período.

Outra fonte de pressão por maior procura de dólares está na ação de grandes empresas, como Petrobrás, que vêm trocando dívida externa por dívida interna. Mas este é um movimento cujos números não se conhecem.

E há a redução da oferta. Exportadores vêm preferindo deixar dólares no exterior em vez de trocá-los por reais no câmbio interno. Alguns analistas identificam redução do apetite por aplicações de estrangeiros em renda fixa no Brasil, porque estes já não obtêm retorno satisfatório em juros e ainda têm de correr o risco cambial, já que trocam dólares por reais e, na hora de sair de suas posições, se sujeitam a receber menos dólares pelos reais aplicados.

Boa pergunta está em saber até que ponto a alta do dólar produzirá mais inflação, na medida em que encarece produtos importados e também mercadorias e serviços produzidos no Brasil sujeitos a cotações em moeda estrangeira, como alimentos (trigo, café, milho e açúcar) e derivados de petróleo. Por enquanto, não há alguma indicação de que isso esteja para acontecer. Mas é ponto sob atenção.

Se a atividade econômica está reagindo, como parece, ficará também inevitável certo aumento de importações de insumos, matérias-primas e máquinas – portanto, de mais pressão de compra de moeda estrangeira. 

Mas, afinal, dá para apostar na continuação da alta do dólar? Os fatores que sugerem essa atitude estão acima descritos. Além disso, há o fato de que o governo Bolsonaro não ajuda a melhorar a imagem do Brasil lá fora, o que afasta eventuais interessados.

Mas há poderosos sinais em contrário. O primeiro deles é o volume das reservas. Mesmo com a redução de US$ 16 bilhões desde agosto (ver gráfico), os US$ 368 bilhões são uma defesa e tanto contra uma aposta contra o dólar.

A entrada de investimentos estrangeiros diretos no País alcançou o total de US$ 76,8 bilhões até setembro e deverá fechar o ano ao redor dos US$ 90 bilhões, quase três vezes o déficit em transações correntes (fluxo de mercadorias e serviços) previsto para este ano (US$ 35 bilhões).

E há o índice de risco Brasil, que fechou nesta quarta-feira nos 128,0 pontos, substancialmente abaixo dos 184,0 pontos registrados em maio passado, o que indica a percepção estrangeira de que não há ameaças sobre os títulos de dívida brasileiros. E isso é também fator que afasta riscos de crise nas contas externas.

Enfim, parece temerário contar com importante deterioração das contas externas do Brasil. Mas o governo precisa agir para virar esse jogo contra, que atacou corações e mentes aqui e lá fora.

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