Atemoia dá bom lucro no sudoeste de SP

O bom preço da atemoia, fruta exótica que caiu no gosto do consumidor, está levando produtores a investir em manejo e tecnologia para aumentar a produção. No auge da safra que acaba de ser colhida nos pomares do interior de São Paulo, a fruta foi comercializada a preços entre R$ 4,50 e R$ 5 o quilo para o produtor. O valor ficou bem acima da safra de 2010, quando os frutos foram vendidos ao preço médio de R$ 2,80 o quilo. Apenas no início desta colheita, a atemoia foi vendida a preços menores, entre R$ 2,50 e R$ 3. Com o custo de produção em torno de R$ 0,92 o quilo, os produtores contabilizam um bom retorno.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h09

A expectativa de um longo período de ganhos levou o produtor Valdir Kenji Tanabe, com pomar de 3,8 mil plantas em produção, em Itapetininga, no sudoeste paulista, a investir na ampliação da cultura. Ele plantou mais 580 mudas e já estuda uma nova ampliação. Tanabe é um dos poucos fruticultores que se dedicam exclusivamente à atemoia - como regra geral, os produtores paulistas de anonáceas mantém pomares de outras frutas, como caqui, lichia, manga e uva.

O pomar em produção ocupa área de 7,5 hectares e todas as plantas são irrigadas por microaspersão. A média de produção é de 25 toneladas por hectare, mas em 2009, Tanabe chegou a colher 38 toneladas por hectare numa área mais adensada, com espaçamento de 4 metros por 4 entre as plantas.

A própria família Tanabe cuida da lavoura, recorrendo a empregados apenas em períodos de maior demanda pelos serviços. Além de Kozo Tanabe, o pai, Valdir e o irmão Marcos trabalham no campo com as respectivas esposas. É comum ver Jacinta Tanabe, esposa de Valdir, percorrendo o pomar à procura de frutas em ponto de colheita. Técnico agrícola, Valdir tem buscado novas tecnologias para melhorar o desempenho da cultura.

Poda. Como o processo de poda é fundamental para a produção da atemoia, ele investiu na compra de uma tesoura elétrica, importada, capaz de decepar até os galhos mais grossos. "Com esse equipamento, faço a poda completa numa planta em 20 minutos, metade do tempo que levaria com tesoura mecânica e serrote", afirma. O ganho de tempo para podar o pomar inteiro é de 20 dias. A poda tem início quando termina a colheita, realizada entre a segunda quinzena de abril e o mesmo período de outubro. Este ano, em função das variações climáticas, a safra se prolongou até novembro.

Tanabe conta que a primeira poda é mais drástica, retirando 80% da copa. Se a brotação é muito intensa, é necessário fazer a chamada poda verde, com o corte dos galhos novos mais robustos para forçar uma nova brotação - a planta frutifica nos ramos mais finos.

De acordo com o produtor, no ano passado, por exemplo, foram necessárias três podas verdes. "É essencial acompanhar a brotação para verificar se há necessidade de fazer nova poda." Nesse período, ele controla a adubação para garantir o equilíbrio nutricional da planta. "A poda sempre estressa a árvore", disse.

Manejo. A importância desse manejo levou a Associação Brasileira de Produtores de Anonáceas (ABPA) a promover, em conjunto com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, um encontro nacional sobre a fruta na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, na semana passada.

As palestras abordaram principalmente a nutrição, a poda e a condução das plantas. Houve ainda um dia de campo na fazenda de Tanabe, em Itapetininga. O evento trouxe a São Paulo especialistas do Nordeste, região que produz principalmente a graviola e a pinha, frutas da mesma família.

O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Anonáceas, Takanoli Tokunaga, explicou que a atemoia resultou de um cruzamento entre a pinha, também conhecida como fruta-do-conde, e a cherimoia. "É uma fruta relativamente nova no Brasil, pois os primeiros pomares comerciais foram formados há 20 anos ou pouco mais", disse. O fruto tem polpa branca, com poucas sementes, e é muito doce, de sabor mais delicado que o das irmãs. Tokunaga, que durante muitos anos foi técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), é um dos principais responsáveis pela difusão da planta em São Paulo. "É uma fruta de boa qualidade, muito saborosa, excelente opção para o agricultor familiar."

Ele disse que algumas regiões de São Paulo reúnem as condições ideais para a cultura, que se dá bem em climas amenos, mas não tolera geada ou frio excessivo. De acordo com o especialista, apenas os produtores ligados à associação mantêm cerca de 70 mil plantas produzindo em 240 hectares nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Em território paulista, os pomares concentram-se nas regiões de Sorocaba, Campinas e Bauru, mas a área de produção tende a se expandir. "O problema é que ainda são poucos os viveiristas, mesmo assim eles estão vendendo cerca de 30 mil mudas por ano", disse o técnico.

Exportação. Segundo Tokunaga, a qualidade da produção credencia o Brasil a ser um dos principais exportadores mundiais da fruta. Países como Chile, Espanha, Estados Unidos e África do Sul também produzem. "Hoje, em produção e qualidade, já estamos entre os primeiros, talvez perdendo apenas para a Austrália", afirmou.

Produtores de Pilar do Sul, região de Sorocaba, reservam parte da produção para o mercado externo. A Bona, empresa mineira com fazenda em Paraisópolis, exporta anualmente 150 toneladas. Segundo Tokunaga, as exportações só não são maiores porque o mercado interno está comprador e paga bem. "Se tivéssemos mais frutas, tudo seria colocado com facilidade", afirmou.

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