Atentados elevam custo do comércio exterior

Um ano após os ataques terroristas aos Estados Unidos, o mundo ainda faz as contas dos prejuízos econômicos causados pela tragédia. Um estudo feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que, atrelados à capacidade de resposta das economias mais desenvolvidas, países emergentes como o Brasil ainda têm pela frente sérios obstáculos a superar, sobretudo no que diz respeito ao comércio internacional e à indústria do turismo.Segundo o levantamento, no longo prazo o impacto dos ataques de 11 de setembro em economias em desenvolvimento deve ser significativo. O principal ponto é o aumento dos custos de embarque das mercadorias vendidas a outros países. Este é um tema que interessa especialmente ao governo brasileiro, que vem lutando para aumentar sua participação no comércio externo e, com isso, reverter a excessiva dependência de recursos estrangeiros para financiar o déficit em conta corrente."As exportações de países em desenvolvimento têm normalmente um custo maior de transporte - notadamente commodities e bens perecíveis transportados pelo ar - e devem ser afetados de forma diferenciada", destaca o documento, sem citar especificamente o Brasil.O texto de 24 páginas aponta como causa dessa elevação de custos algumas propostas que surgiram a partir dos ataques do ano passado para intensificar os procedimentos de segurança nos portos e aeroportos. Um exemplo é a sugestão de parceria com autoridades dos dez maiores portos que enviam mercadorias para os Estados Unidos para aumentar investimentos em tecnologia nos cais, navios e contêineres para diminuir os riscos de ataques terroristas.Com isso, as mercadorias originárias desses portos seriam liberadas com maior agilidade ao chegar nos Estados Unidos. "Esse procedimento de certificação de alguns portos estrangeiros selecionados pode ser discriminatório se os portos de países em desenvolvimento não forem qualificados", alerta o documento.Além disso, a política de "conhecer os seus parceiros" por meio de registros prévios dos intermediários pode agilizar um processo de embarque, mas deve também privilegiar grandes companhias e prejudicar empresas menores de países em desenvolvimento, de acordo com o estudo.O documento lembra ainda que, nas últimas décadas, a redução dos custos de transportes representou ganhos importantes para o comércio mundial. Em função disso, várias empresas internacionalizaram sua produção e, atualmente, dependem de sistema eficientes de entrega de mercadorias."Essa abertura para o comércio internacional contribuiu para elevar os níveis de produtividade em relação à última década, o que ajudou a aumentar os rendimentos obtidos. Para os países em desenvolvimento, foi um fator que estimulou o crescimento econômico e o combate à pobreza", ressalta.Diante disso, o aumento dos custos de embarque e desembarque pode significar um retrocesso. Já com relação aos países que dependem das receitas obtidas com turismo, um impacto considerável é a retração nas viagens internacionais. Segundo a Organização Mundial de Turismo a queda verificada no fluxo de turistas cruzando fronteiras ficou entre 12% e 15%, em comparação com o ano de 2000, e ainda não há sinais de reversão.

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