Atentas ao novo mercado, empresas desenvolvem tecnologias verdes

Brasil, apesar de investir pouco em P&D, é referência mundial em algumas áreas, como a dos carros flex

Renato Cruz, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

O centro da Pirelli em Santo André, no ABC paulista, desenvolve os pneus para as montadoras atendidas pela empresa no continente, incluindo os Estados Unidos. "Testamos mais de 30 mil pneus por ano", diz Roberto Falkenstein, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da companhia. "O mercado nunca esteve tão atento à sustentabilidade. Isso mudou totalmente o trabalho de P&D."Segundo o executivo, que participou da 9ª Conferência da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), encerrada na quarta-feira, em Porto Alegre, o pneu é responsável por 20% do gasto de combustível do veículo. "Desenvolvemos um pneu verde, com menor resistência à rolagem, que permite a economia de 5% de combustível na estrada, quando o carro está a 100, 110 quilômetros por hora", informa ele.O diretor da Pirelli aponta que hoje, em média, os veículos geram 160 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado. A União Europeia tem como meta chegar a 120 gramas até 2015.As regras de preservação do ambiente criadas pelos países acabam se tornando, na prática, barreiras técnicas à importação. Preocupado com isso, o Ministério do Desenvolvimento resolveu transformar sua Secretaria de Tecnologia Industrial em Secretaria de Inovação Tecnológica, tendo como um dos focos a sustentabilidade."Nos próximos 10 anos, a estratégia de competitividade das empresas depende da superação dessas barreiras", afirma Marcos Vinícius de Souza, assessor da secretaria. "É uma questão de sobrevivência de negócios." Segundo ele, uma das primeiras medidas com esse foco é a criação do Cartão BNDES para a Inovação, que deve ser anunciado até o fim deste mês, voltado principalmente para a pequena e média empresas. "As empresas não podem mais reclamar de falta de capital para a inovação." O financiamento terá juros de 1% ao mês, em até 48 parcelas prefixadas.O Brasil ainda tem muito a avançar nos investimentos em inovação. Os Estados Unidos e a Alemanha investem perto de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. No Japão, esse número ultrapassa os 3%. Em 2006, o último dado disponível, o Brasil investiu perto de 1%. Os investimentos da China estão próximos de 1,5%.REFERÊNCIAApesar do montante pequeno, o Brasil é referência mundial em algumas áreas. Está no País um dos centros de competência mundial da Bosch. Neste ano, foi lançado o Polo E-Flex, com motor bicombustível que consegue dar a partida com álcool mesmo a temperaturas baixas. O projeto foi liderado pela Bosch do Brasil."No ano passado, ganhamos o prêmio mundial de inovação da Bosch", conta Bruno Bragazza, gerente de Inovação Tecnológica da empresa. "Foi a primeira vez que o prêmio saiu para uma equipe de fora da Alemanha." O projeto gerou seis pedidos de patentes no Brasil. O empresário belga Gunter Pauli, diretor da Fundação Zero Emissions Research & Initiatives (Zeri), aponta que existem muitas oportunidades de negócios na sustentabilidade. "Com inovação massiva e novos modelos de negócio, é possível investir menos, gerar mais receita e, ao mesmo tempo, criar capital social", diz Pauli.Um dos exemplos citados por Pauli é o uso da energia gerada pela fala humana para abastecer telefones celulares, projeto em andamento no centro de pesquisas Fraunhofer, na Alemanha. *O repórter viajou a convite da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei)FRASEGunter PauliDiretor da Fundação Zeri"Com inovação massiva e novos modelos de negócio, é possível investir menos, gerar mais receita e, ao mesmo tempo, criar capital social"

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