ADEK BERRY/AFP
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Dólar tem novo dia de queda e fecha em R$ 3,71 embalado por eleições e exterior

Real foi a moeda que mais se valorizou no mundo nos últimos cinco dias úteis; Bolsa terminou estável no pregão desta terça-feira, 9

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 10h19
Atualizado 09 Outubro 2018 | 18h42

O dólar teve novo dia de queda, mesmo depois de terminar a segunda-feira no menor valor em dois meses. A moeda americana à vista caiu mais 1,28% nesta terça-feira, 9, para R$ 3,7155, a cotação mais baixa desde 3 de agosto, quando fechou em R$ 3,7080.

Depois da forte corrida às compras de ações na segunda-feira, como reflexo da euforia com os resultados do primeiro turno das eleições, os investidores reduziram o ímpeto comprador e o Ibovespa perdeu fôlego. Ainda assim, o índice oscilou em terreno positivo na maior parte do dia, embora tenha fechado estável, aos 86.087,55 pontos.

No mercado cambial, os investidores seguiram animados com a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), sobretudo após começarem a circular nomes para seu futuro ministério, caso vença as eleições, o que estimulou novo desmonte de posições compradas dos investidores. Além das eleições, também pesou a queda do dólar no exterior, após o Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixar a previsão para o crescimento da economia mundial. 

Nos últimos cinco dias úteis, o real foi a moeda que mais se valorizou no mundo, considerando uma lista de 42 divisas de países desenvolvidos e emergentes, segundo levantamento do Banco Fibra. Apenas em outubro, o dólar já caiu 8,3%. O real chegou a registrar o terceiro pior desempenho ante o dólar no acumulado do ano, com a moeda dos EUA valorizando 25% aqui, atrás somente do peso argentino e da lira turca. Com a melhora recente, a alta do dólar no Brasil em 2018 se reduziu para 12% e o real passou a ter o sétimo pior desempenho.

Especialistas em câmbio avaliam que o dólar já caiu demais nos últimos dias e agora atingiu um ponto de suporte em R$ 3,70. Alguns operadores acreditam que, ao menos no segundo turno, se não surgir um fato novo no cenário político, a moeda deve ficar na casa dos R$ 3,70 a R$ 3,80. "Acho que chegou ao piso, considerando que estamos em meio a campanha do segundo turno", avalia a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares. Por isso, a divulgação da pesquisa do Datafolha, prevista para esta quarta-feira, deve ser acompanhada de perto pelo mercado. 

Mas há no mercado casas que veem chance de a moeda cair ainda abaixo de R$ 3,70 no curto prazo. Se as pesquisas no segundo turno apontarem para um vitória de Bolsonaro, o real deve ganhar um pouco mais de força, escrevem os estrategistas de câmbio do banco alemão Commerzbank nesta terça-feira, em nota a clientes. "Se Haddad for capaz de conseguir algum avanço, o real deve ficar sob pressão", afirmam eles. "A clara liderança de Bolsonaro no primeiro turno sugere que a vitória dele é provável." O Commerzbank ressalta que as cadeiras na Câmara conseguidas pelo PSL, que terá a segunda maior bancada, atrás apenas do PT, ajudam a reduzir o temor sobre a governabilidade do capitão reformado do Exército. 

Mercado de ações

Bolsonaro disse no Twitter, nesta terça-feira, que "quem sabe" o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) assumiria como ministro da Casa Civil. Lorenzoni já se posicionou contrário à reforma da Previdência proposta pelo presidente Michel Temer, mas esse histórico não foi precificado no mercado. "A situação fiscal do País é tão grave que não existe espaço para ministros que não esteja alinhados à pauta reformista. O cenário atual é outro", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora. Para ele, a curiosidade maior do mercado gira em torno da equipe econômica e dos presidentes do BNDES e das estatais.

Na análise por ações, o destaque ficou por conta dos papéis de empresas do setor de commodities, estas com influência do mercado internacional. Petrobras ON e PN subiram 1,85% e 0,83%, apoiadas em boa parte pela valorização dos preços do petróleo nas bolsas de Nova York e Londres. A commodity avançou em meio aos temores de redução das exportações do Irã, devido às sanções americanas. A alta dos preços do minério de ferro e das commodities metálicas favoreceu a alta de 1,07% da Vale.

Ainda entre as ações que fazem parte do "kit Brasil", tiveram alta os papéis da Eletrobras (+3,68% na ON e +0,15% na PNB), mas os do Banco do Brasil recuaram (-0,51%), em um movimento atribuído à realização de lucros.

"Aqui dentro, o mercado manteve a expectativa pela pesquisa Datafolha (prevista para amanhã). Mas o cenário externo também pesou nos negócios, uma vez que ainda preocupam questões como o orçamento italiano e o aperto monetário do Federal Reserve", disse Vítor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

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