Atividade aquecida e desemprego baixo pressionam preços

A pesquisa semanal Focus, feita pelo Banco Central com os economistas de mercado, voltou a apontar alta das projeções de inflação tanto para o ano corrente como para o próximo ano. A dinâmica dos preços que havia mostrado certo alívio ao longo do mês de julho volta a preocupar, principalmente frente à tendência de um novo choque de commodities e por causa da atividade doméstica ainda bastante aquecida.

Análise: Marianna Costa, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Os alimentos continuam a ser o destaque da inflação em 2010. Após apresentarem queda de preços em meados do ano, devolvendo parte da alta do início do ano, a configuração recente do fenômeno La Niña, que se caracteriza por um período maior de estiagem, levou à quebra de safra no Leste Europeu e já ameaça a próxima safra no Hemisfério Sul.

Assim, o índice de preços agrícolas no atacado, medido pela FGV, aponta alta substancial, sugerindo que os preços ao consumidor devem seguir pressionados. O preço do pãozinho francês já subiu, assim como o da carne.

Em um horizonte um pouco mais longo, as projeções para o ano de 2011 também continuam a subir. Em perspectiva, a atividade doméstica aquecida deve ser o principal vilão. Como mostrou o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o volume de geração de empregos no acumulado de janeiro a agosto é recorde para o período. Os dissídios salariais devem se configurar como importante pressão a frente, exemplo disso foi o reajuste aprovado para os metalúrgicos de 10.81%, representando mais de 5% de ajuste real.

Como salienta o economista da Link Investimentos, Thiago Carlos, a junção de um choque de alimentos, atividade doméstica aquecida e taxas de desemprego historicamente baixas pode ser uma conjunção perigosa para a dinâmica de preços a frente. A tendência é que continuemos a observar alta das projeções.

É ECONOMISTA-CHEFE DA LINK INVESTIMENTO

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