Atividade da indústria cresce 8,6% no trimestre

A atividade da indústria paulista cresceu 8,6% no primeiro trimestre deste ano. O dado, divulgado nesta quinta-feira pelo Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), toma como base o mesmo período de 2005. Ainda, segundo a pesquisa, o INA de março subiu 1,1%, ante fevereiro, já com ajuste sazonal (levando em conta as características de cada época do ano). No cálculo sem ajuste, a alta foi de 10,8%, na mesma base de comparação. O indicador subiu 9,6% ante março de 2005. Trata-se do quinto mês consecutivo de crescimento. O INA registrou variação negativa pela última vez em outubro (-1,1%) do ano passado. Em novembro, a alta foi de 2,9%; em dezembro, de 2,4%, em janeiro de 2006, de 1,8% e em fevereiro, de 1,8%, sempre com ajuste sazonal. Ainda no terceiro mês do ano as vendas reais da indústria cresceram 20,2%; as horas médias trabalhadas, 7,9%; e o total de salários reais cresceu 3,3% ante fevereiro. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria subiu para 81,8% em março ante 78,4% em fevereiro. Perspectivas Na avaliação do diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, Paulo Francini, a atividade deve continuar em alta nos próximos meses, mas em ritmo menor do que o atual, já que a base de comparação no segundo trimestre é mais forte do que a do primeiro. Dessa forma, o INA deve encerrar o ano com incremento entre 5,5% e 6%. "A mudança de patamar da atividade mostra um cenário muito positivo nos mercados interno e externo", ressaltou o diretor-adjunto do Departamento de Economia do Ciesp, Antonio Corrêa de Lacerda, lembrando que os juros externos continuam baixos e a demanda por exportações, altos. Quando se analisa o mercado interno, há pelo menos três fatores que afetam positivamente a produção, completou Francini: a redução da Selic, o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a aceleração dos gastos públicos. "Não podemos esquecer da oferta de crédito, que ainda tem espaço enorme para crescer", ressaltou Lacerda. O diretor da Fiesp disse, em tom de brincadeira, temer que o Banco Central leia os dados do INA no noticiário e os interprete como uma forte recuperação da produção, alterando a política de corte de juros. De qualquer forma, ressaltou Lacerda, o otimismo não é generalizado. Ele explicou que o INA mostra a média da atividade industrial, mas há setores que vivem "pequenas tragédias", como têxteis, calçados e o segmento de máquinas injetoras de plástico. Em março, a atividade do setor de produtos químicos, petroquímicos e farmacêuticos caiu 2% ante fevereiro, sendo destaque de baixa no indicador.

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