Atividade da indústria de SP cai 2,4% em maio

Inflação afeta o setor de alimentos e bebidas, que apresenta clara tendência de queda

BETH MOREIRA, Agencia Estado

26 de junho de 2008 | 11h28

O Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista apurado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) caiu 2,4% em maio em relação a abril deste ano, na série com ajuste sazonal. Sem considerar as influências sazonais, o INA apresentou elevação de 2,1% no mesmo período.  Veja também:Entenda a crise dos alimentos   Entre os setores, destacaram-se o de Alimentos e bebidas, que registrou queda de 0,5%, e Máquinas e equipamentos, com recuo de 3,5% em maio ante abril. Em relação a maio de 2007, o indicador registrou crescimento de 3,9%. Nos primeiros cinco meses deste ano, o INA subiu 8,3% ante igual período de 2007. No acumulado em 12 meses até maio, o avanço do INA foi de 7,5%.A Fiesp informou também que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) recuou para 83,1%. Em abril, o Nuci estava em 83,4%, na série com ajuste sazonal. Em maio do ano passado, o indicador estava em 82,5%. Já na série sem ajuste sazonal, o Nuci de maio ficou em 84%, ante 83% de abril e 83,4% de maio de 2005.  Retração no setor de alimentos No acumulado de 12 meses até maio, o setor de alimentos e bebidas foi o único a registrar queda (-1,3%) no Indicador. Em relação a maio de 2007, o indicador registrou uma queda de 3,4%, enquanto no acumulado dos primeiros cinco meses do ano o indicador caiu 1,9%. De acordo com o diretor do departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini, o setor de alimentos e bebidas apresenta clara tendência de queda na atividade, reflexo do processo rigoroso de aumento de preços que, segundo ele, impacta na demanda.  Segundo a Fiesp, o total de vendas reais do segmento caiu 7,6% no acumulado de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo intervalo de 2007. Segundo Francini, normalmente a tendência é de que a atividade do setor de alimentos e bebidas cresça junta com a renda e se mantenha razoável estabilidade com o crescimento dos preços. "Mas, com o aumento do preço superando o aumento da renda, o setor entra em declínio", afirma.   Tendência de desaceleração Segundo o diretor do Departamento de Economia da Federação da Fiesp, Paulo Francini, a queda de 2,4% no Indicador de Nível de Atividade (INA), medido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), registrada em maio em relação a abril na série com ajuste sazonal indica que há uma tendência de desaceleração. O executivo afirma que maio normalmente é um mês mais forte que abril. "Deveremos assistir a uma acomodação do crescimento ao longo de 2008", afirma. A previsão é de que o INA feche o ano com crescimento de 5,5% em relação a 2007, ante taxa de 7,5% registrada no acumulado de 12 meses até maio.  O diretor lembra que a indústria registrou crescimento vigoroso em 2007 e que a base de comparação é forte. Para Francini, no entanto, a acomodação não assusta, já que não há evidências de que haverá uma desaceleração muito abrupta. O economista explica que um real muito valorizado dificulta a competição das empresas nacionais com material importado e também reduz a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. (com Reuters)

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