Atividade da indústria paulista recua 0,1%

A atividade industrial paulista recuou em setembro, mas não há motivos para preocupação já que o cenário positivo para este ano está praticamente consolidado, avaliou ontem a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

Ao divulgar o Índice de Nível de Atividade (INA) do mês passado, a Fiesp ponderou, contudo, que a recente valorização do real e a falta de clareza das autoridades com a chamada "guerra cambial" podem impor risco à indústria brasileira mais à frente.

O INA caiu 0,1% em setembro ante agosto, segundo dados com ajuste sazonal, puxado principalmente pelo fraco desempenho do setor de Metalurgia básica. Sem ajuste, a queda foi de 0,4%. Em relação a setembro de 2009, o indicador teve alta de 7,3%.

A Fiesp revisou o dado do INA de agosto, para alta de 1,1% sobre julho, ante leitura preliminar de crescimento de 0,4%. No acumulado do ano até setembro, o crescimento do setor é de 12%.

"Agosto cresceu mais, o que deu para setembro uma tarefa mais complicada. Essa queda de 0,1% na verdade é um número que tem que ser tomado como estabilidade", disse Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp. "De agosto para setembro geralmente ocorre uma queda", completou.

O nível de utilização da capacidade instalada na indústria ficou em 81,9% em setembro com ajuste sazonal, ante 82,5% em agosto e 81,3% em igual mês do ano passado.

Entre os setores pesquisados, o destaque de baixa ficou com Metalurgia básica, registrando queda de 4,1% sobre agosto, com ajuste sazonal. Vale citar o recuo de 2,9% no componente Total de Vendas Reais desse setor, também dessazonalizado. "Percebe-se a trajetória descendente da Metalurgia, cuja explicação está justamente em cima do crescimento da importação", avaliou Francini.

O diretor atribuiu esse salto nas importações a uma "constelação" de motivos formada por taxa de câmbio sobrevalorizada, forte demanda interna e recuperação dos mercados externos.

Sensor. Outra pesquisa da Fiesp, o Sensor, que mede o humor do empresário e antecipa a tendência da atividade, mostrou redução no otimismo. O indicador caiu para 52,6 em outubro, frente a 53,7 no mês anterior.

Apesar da queda, o dado segue acima da linha de 50 que divide o otimismo do pessimismo.

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